O movimento pelo fortalecimento da inovação em Pelotas teve início ainda em 2021, com o encaminhamento das primeiras discussões para estruturar o que viria a ser a Lei Municipal de Inovação. A discussão ficou travada na Câmara de Vereadores por cerca de dois anos, com a aprovação acontecendo apenas em outubro do ano passado. Desde janeiro deste ano, Pelotas conta com uma normativa que tem o objetivo de fomentar o desenvolvimento tecnológico e econômico da cidade.
Como marco na implementação da legislação em Pelotas, tomaram posse ontem 13 membros do Conselho Municipal de Ciências, Tecnologia e Inovação (CMCTI). O grupo será responsável por definir as diretrizes do ecossistema de inovação da cidade.
O secretário de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação (Sdei), Jeferson Sigales, avalia a posse do Conselho como o começo da implementação da política pública de inovação em Pelotas. “Foram cinco anos de muita luta, hoje, felizmente, nós ainda temos um ecossistema reunido e representado dentro do Conselho. O que a gente espera é que essas oportunidades de começar a implementar toda essa visão para a inovação, a partir das possibilidades do nosso território, e com uma participação formal”, projeta.
Sigales foi parte ativa na estruturação da inovação em Pelotas e define o momento como uma consolidação da maturidade da temática no município, a partir da estruturação da SDEI. “Todos os ecossistemas, quando avaliamos em diversas cidades, eles começam a ganhar robustez quando o poder público ingressa nessa participação. Em 2025, liderado pelo vereador Antônio Peixoto, ganhamos uma adesão no Legislativo, e conseguimos a aprovação [da lei de inovação]. Agora, em 2026, tenho a possibilidade de estar à frente da secretaria, liderando pelo executivo, é um avanço muito significativo”, diz o secretário.
O prefeito Fernando Marroni (PT), durante a solenidade, definiu a criação do órgão como o pagamento de uma dívida com o setor. “Uma cidade tão inovadora, que tem instituições que trabalham com pesquisa, com ciência, com tecnologia […]. É um momento de dever cumprido. Demorou um pouco pra gente aprovar a legislação e, agora, a consolidação do Conselho é um passo importante para que a gente tenha efetivamente uma política integrada”, reforça.
Atuação
Em primeiro momento, as reuniões do CMCTI serão direcionadas para a estruturação do próprio conselho, com definições de regimento interno, operacionalização do Comitê Gestor que possibilitará a criação do Fundo Municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia (FMICT).
Representando os novos conselheiros e o Senac Pelotas, Tiago Radmann destacou a importância do trabalho a ser desenvolvido e a pluralidade de segmentos que passam a compor a nova estrutura do município, contribuindo com um amplo diálogo. Radmann destaca que o papel do CMCTI é escutar, debater e agir para o fomento do setor.
“Se isso não gerar melhoria de vida para as pessoas que vivem na nossa cidade, de nada adianta. Então, o nosso papel enquanto conselheiro é ‘arregaçar as mangas’ e ajudar, contribuir, trabalhar para que a gente tenha um conselho que seja atuante e não seja mais um conselho de portaria nomeado pela prefeitura”, afirma.
Inovação em Pelotas
Próximo de completar dez anos de atividades, o Pelotas Parque Tecnológico (PPT) é um dos principais expoentes de inovação e tecnologia no município. Procurando cada vez mais aproximar-se da sociedade e mostrar que o tema da inovação é acessível ao público geral e presente no seu dia a dia, a gestão do parque vê a participação no conselho como um marco para novas possibilidades.
“É uma articulação muito importante para a cidade. Além do conselho, se institui outros pilares importantes para a busca de editais de inovação, que fomentem a inovação, o desenvolvimento e a tecnologia, além do selo que vai homenagear iniciativas, isso tudo cria um ambiente, uma atmosfera de que Pelotas está com todos os instrumentos para trabalhar a inovação”, afirma a diretora executiva do PPT, Rosâni Ribeiro.
O diretor de Tecnologia e Inovação da Associação Comercial de Pelotas (ACP) e agora conselheiro, Thiago Klug, afirma que a criação do órgão e a sua estruturação é o primeiro passo para as próximas ações de inovação na cidade. “Agora é um ótimo momento para colocar tudo o que já ficou desenhado em jogo e se tornar cada vez mais uma cidade atrativa para empresas, mas também para que a gente consiga fazer com que os nossos jovens entendam que a cidade é próspera e que pode empreender e inovar aqui na nossa região”, destaca.
