Novos acordos, como o com a Snickers, vêm sendo fechados pelos gestores do Brasil mesmo com a permanência do impasse que envolve a transferência de 90% das ações da SAF para os investidores, o que depende de decisão judicial em função do clube estar em processo de recuperação judicial (RJ). O controle acionário permanece integralmente nas mãos do clube associativo.
Em documento tornado público na última sexta-feira (5), o escritório Feversani, Pauli & Santos, de Santa Maria, responsável pela administração judicial (AJ) da RJ, faz pressão a respeito da falta de informações disponibilizadas por representantes da SAF sobre os moldes da transferência de ativos. “A situação observada nos autos é, para dizer o mínimo, preocupante”, diz trecho do relatório.
O clube precisa apresentar um novo plano de recuperação judicial e do laudo de viabilidade econômico-financeira, ou seja, como as dívidas seriam pagas conforme a proposta do clube aos credores. Em 25 de maio, o próprio Brasil solicitou adiamento de 15 dias em relação ao primeiro prazo estipulado pelo juiz Alexandre Moreno Lahude. Este período terminaria nesta terça (9), mas não houve apreciação judicial a respeito.
A administração judicial reforça o fato de que a gestão da SAF tem sido feita via procuração, considerando a situação do controle acionário. A ausência de informações, conforme a AJ, “torna necessário reavaliar a manutenção do stay period”. O stay period é o período em que dívidas e execuções contra uma empresa em RJ são suspensas – caso do Brasil, como clube associativo, neste momento.
O que dizem os gestores
Questionado a respeito das ações tomadas pelo grupo de investidores para dar celeridade aos trâmites, um dos integrantes do grupo de investidores da SAF, Fernando Ferreira, citou na semana passada as demandas recebidas
“Sempre é resolvido. O problema é que a cada dois minutos vem um pedido novo e as coisas nunca vão para a frente. De fato, estamos com bastante inquietação por conta de um processo que a cada hora se cava mais sem absolutamente nenhum tipo de necessidade”, afirmou à Rádio Pelotense 99,5 FM.
Emerson Rosa, outro componente da Xavante Participações, também comentou sobre o tema.
“Eu não tenho dúvida de que isso tudo irá se resolver. Temos que fazer nossa parte e esperar essa decisão porque aí sim a gente vai conseguir dar outros passos”, disse o ex-volante.
O escritório responsável pela intermediação com a administração judicial é o Bichara & Motta, do Rio de Janeiro.
