A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece um conjunto de diretrizes e obrigações fundamentais para direcionar a gestão de resíduos sólidos no Brasil, na transição para um modelo mais sustentável. Desde 2016, o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU) avalia dados sobre coleta, sustentabilidade econômico-financeira, reciclagem e destinação final, permitindo comparar e monitorar o desempenho dos municípios.
Na última pesquisa divulgada, com dados referentes a 2025, entre os municípios que compõem a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), onze receberam a pior avaliação (Muito Baixo), seis com conceito Baixo, três com Médio, e apenas um município aparece com o índice Alto de sustentabilidade na limpeza urbana: São Lourenço do Sul. Pelotas aparece entre os municípios que aderem à política em nível médio.
O ISLU não tem como propósito avaliar qual é o modelo de gestão mais eficiente. Os resultados estão relacionados apenas ao status dos municípios em relação ao cumprimento da PNRS. A avaliação tem como base quatro conceitos: engajamento do cidadão e do município; sustentabilidade financeira; recuperação de resíduos coletados; e impacto ambiental.
Gestão direcionada para a sustentabilidade
São Lourenço do Sul é uma das cidades da região que mais sofre com as mudanças climáticas por fatores que envolvem, principalmente, sua localização geográfica. Nesse cenário, as gestões têm se preocupado em trabalhar para construir uma cidade resiliente e preparada para os eventos climáticos, que serão cada vez mais comuns no Estado nos próximos anos, com o avanço da degradação do meio ambiente.
O secretário municipal de Obras, Waldeci Holz, afirma que o destaque não aconteceu por acaso. Ele é o reflexo de um trabalho sério que vem sendo feito dia após dia. “Quando falamos em protagonismo na limpeza urbana, estamos falando de coleta eficiente, cuidado com o destino final, reciclagem e transbordo”, diz.
O gestor também explica que, para chegar a esse nível, o trabalho da prefeitura e das equipes de limpeza tem sido constante. “Investimos em gestão, organização de dados e infraestrutura. Mas, acima de tudo, esse protagonismo é fruto de uma gestão que entende que cidade limpa é sinônimo de saúde pública e respeito ao cidadão”, afirma Holz.
Médio
Pelotas está entre os seis municípios da região classificados como Médios no índice. O responsável pelo setor de resíduos do Sanep, Édson Plá Monterosso, destaca que o município é um dos poucos do Brasil a ofertar a universalização de todos os tipos de coleta à população. “Temos 100% da área urbana do município com coleta orgânica e seletiva. Ainda, dispomos de 100% de coleta de serviços de saúde, tanto na área urbana como na área rural, para geradores públicos de resíduos de serviços de saúde”, explica.
Ele também destaca que a gestão está na busca por melhorar não só a classificação, mas também incentivar a comunidade a reconhecer seu papel nesse processo. “A busca pela autossustentabilidade financeira para fazer frente às atuais e novas despesas previstas, maior participação da sociedade em tarefas de sua responsabilidade, além da administração continuar avançando em novas tecnologias para tratamento de resíduos, devem ser os objetivos a serem perseguidos”, afirma Édson Plá.
Baixo
O prefeito de Cerrito, Flavinho Vieira (PP), afirma que a classificação no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana está sendo tratada com atenção, e medidas já estão sendo orientadas para qualificar a gestão de resíduos no município. “A prioridade é ampliar e tornar mais eficiente a coleta seletiva”, diz.
Entre as ações imediatas, o prefeito destaca o reforço da coleta com a instalação de 20 novos contêineres até o fim da semana.
Muito Baixo
Nos últimos anos, Rio Grande enfrentou problemas crônicos com a coleta de lixo, evidenciados durante o período de enchentes, com a necessidade de troca da empresa responsável por quebra de contrato.
Na atual gestão, o secretário municipal de Serviços Urbanos, Dirceu Lopes, reforça que o índice mostra que a dificuldade não é uma exceção de Rio Grande, mas um reflexo de desafios estruturais nacionais, como a ausência histórica de cobrança específica pelos serviços, os baixos índices de reciclagem e limitações na destinação adequada dos resíduos. “Mesmo diante desse cenário, a atual gestão vem avançando com responsabilidade na reorganização dos serviços, no planejamento de soluções sustentáveis e na modernização da gestão da limpeza urbana. ”, garante.
