Onde você consome jornalismo?

Opinião

Jarbas Tomaschewski

Jarbas Tomaschewski

Coordenador Editorial e de Projetos do A Hora do Sul

Onde você consome jornalismo?

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Na semana de celebração do Dia do Jornalista (7 de abril), refleti sobre a profissão em uma foto que guardo com carinho e me remete aos primeiros anos da carreira. Recém havia abandonado a máquina de escrever e passava a usufruir de um “potente” PC 386, com entrada para disquetes. Verdadeira revolução no início dos anos 90, como toda novidade causou medo aos avessos à tecnologia. A fotografia em papel se mantinha presente. Era preciso revelar os filmes e fazer cópias para cada pauta. O bloco e a caneta dividiam espaço com os cinzeiros. Permitia-se fumar nas redações e, para mim — dos poucos que não fumava — nada poderia ser pior. Chegava em casa ao final do dia, colocava a roupa na lavadora e tomava banho para me livrar do cheiro impregnado pela fumaça. Perdi alguns anos de vida como fumante passivo no início da carreira.

O jornalismo mudou nas últimas três décadas, período da aposentadoria do fax e do nascimento da internet. A revolução transformou a forma como se faz comunicação e colocou veículos e profissionais no divã. Empresas fecharam; outras fizeram escolhas e retornaram ao modelo inicial; algumas se tornaram híbridas. Há quem demonize. Eu prefiro perceber a evolução como um caminho natural. Enquanto novidade, assustou, gerou experiências de sucesso e fracasso e, atualmente, vive o ciclo de fixação. Não há retorno, mas escolhas. Essa parece ser a fórmula mais segura a quem faz e vive o jornalismo diário.

O último 7 de abril marcou, ainda, a divulgação do relatório da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) sobre o futuro da profissão. O documento trouxe quatro cenários hipotéticos sobre onde estará o jornalismo no Brasil na próxima década, e seis estratégias possíveis para a sociedade contar, até 2036, com um serviço íntegro.

Atenho-me aos modelos de ação. Envolvem tornar o método amplamente adotado e difundido; combater as fakes news; fortalecer as redes cooperativas entre organizações de jornalismo e universidades; diversificar modelos de financiamento do jornalismo; investir em educação midiática e defender a regulação profissional.

Aqui parece estar o pulo do gato: buscar o reconhecimento ao trabalho feito com apuração, confiabilidade e segurança por quem sabe, de fato, o que faz e onde pisa, independentemente da plataforma usada para massificar a notícia. A comunicação livre e segura, enquanto direito do indivíduo, passou a ser violada com a substituição do profissional por “qualquer um”. Não somos melhores que os outros. Somos, sim, movidos pelo desejo de construir comunidades através da verificação dos fatos, da produção humana, com estudo, técnica e compromisso. É preciso separar quem se especializa de quem cria sua página caseira, onde tudo se aceita, sem filtros, não se sabe o nome do responsável, o endereço ou a quem reclamar quando barbaridades são publicadas com o rótulo de “informação”.

A sociedade é curiosa, experimenta até identificar o quanto é desinteressante consumir tais produtos. Nesse quesito, o projeto do Grupo A Hora chega ao segundo ano com uma marca importante: conquistamos, em um curto espaço de tempo, a confiança regional. Hoje, somos vistos pela qualidade das entregas e a força no usar o jornalismo a favor do desenvolvimento e da integração. Somos posicionados. Defendemos projetos que dialoguem com a economia fortalecida e voltada ao bem-estar geral, seja na geração de empregos, na atração de negócios, no investimento em infraestrutura, no fomento do ensino-aprendizagem como ferramenta social, na oferta de lazer coletivo – esporte, cultura, arte, música, literatura – e em tantas outras frentes de progresso. Quem nos vê também é visto.

Jornalismo exige responsabilidade. A tecnologia é o meio e não se sobrepõe ao trabalho bem feito (embora há quem pense o contrário). Se me devolverem a velha máquina de escrever, não entregarei menos – mais lento, com certeza. Porém, nunca será desculpa para me omitir à atividade que escolhi e criei verdadeira paixão.

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