Assim como Amores Materialistas, de Celine Song, lançado no ano passado sob o mesmo selo da A24, agora O Drama (The Drama, 2026), que conta com direção e roteiro do norueguês Kristoffer Borgli, também explora o casamento como uma instituição que carrega em si questões sociais e políticas. Não é sobre o amor que impera isolado dentro daquele relacionamento, mas sim sobre como o amor é impactado de diferentes maneiras pela pressão e pelos meandros de uma sociedade fragilizada — pela economia, no caso de Song, e pela violência, aqui no universo do casal criado por Borgli.
Robert Pattinson e Zendaya (em atuações excepcionais) interpretam o casal protagonista, Emma e Charlie, que está prestes a se casar nos próximos dias. Tudo está sendo organizado: da dança ensaiada ao vinho que será servido. Porém, em uma dessas degustações que definirão a confraternização, com a presença do casal de padrinhos, é trazido à mesa um jogo de revelação: qual a pior coisa que você já fez e que seu/sua escolhido(a) não sabe? Embriagados, eles revelam suas histórias. Mas é quando Emma conta a sua (um fato importante de seu passado) que Charlie entra em uma espiral de inseguranças e dúvidas sobre o relacionamento e sobre o quanto realmente conhece a pessoa com quem vai se casar.
Vendido como uma comédia romântica de humor ácido, o filme de Borgli é bem mais do que isso. É um filme de tensões e hipocrisias de uma sociedade. Mesmo que O Drama apenas encare os tabus que apresenta sem desbravá-los com total profundidade, ainda assim é um ganho o desafio que impõe aos espectadores. É através de seu humor distanciado do romance que a produção revela uma sociedade repleta de angústias e aprisionamentos. Depois do filme de Borgli, dizer “aceito” talvez ganhe um peso completamente diferente para alguns.