A primeira impressão é a que fica. É um ditado popular, mas no futebol quase nunca vem sozinho. A última também é lembrada. E, na estreia do Brasil diante do Azuriz, foi assim. Duas impressões, dois recortes do mesmo jogo. Diferentes, mas que se completam.
A primeira animou. Um time com ideia, ocupando espaços, dominando o meio e mostrando organização. A última foi no limite, no sofrimento, na resistência. E talvez seja justamente aí que mora a essência: “se não é sofrido, não é Xavante”. O 2 a 1 com drama e roteiro apertado também faz parte dessa identidade.
Dentro do contexto, o saldo é positivo. Primeiro jogo do ano, equipe em construção, adversário competitivo. E, mesmo assim, já deu para enxergar sinais.
O meio-campo foi o destaque. Júlio Simas, Venício e Germano deram o tom. Durante a semana, comentei no Resenha Esportiva da Rádio Pelotense que esse meio-campo me encantou. E não foi pelos nomes, foi pela engrenagem. Simas protegendo e invertendo o jogo, Germano inquieto, de área a área, aparecendo até como opção ofensiva, e Venício dando equilíbrio. Funcionou.
A partir disso, o resto cresceu. Givigi e Daniel Dias encontraram espaços, trocaram posições e, depois dos 30 minutos, o time passou a criar mais. O jogo que era travado começou a fluir. Até que a bola chegou em Iury Tanque, que insistiu, sofreu o pênalti e marcou o primeiro gol da era SAF.
O segundo tempo era o esperado para início de temporada. Queda física, ajustes, trocas e falta de ritmo. O próprio Gilson tratou disso no pós-jogo. O que era receio virou alívio com o segundo gol, novamente com participação do meio, com Germano. Mas o alívio durou pouco. O Azuriz descontou e trouxe o jogo para outro cenário.
E aí veio o teste.
Mais do que organização, foi preciso competir emocionalmente. O time se segurou, resistiu à pressão, conviveu com um gol anulado, que na minha visão foi legal, e sustentou o resultado. São três pontos que dizem muito mais do que o placar.
Claro que há ajustes. E são visíveis. A regularização de Alan amplia opções. Robinho chega como alternativa para o lugar de DG. Os lados do campo ainda pedem mais, mesmo com a boa atuação de Daniel Dias, que cresceu quando foi deslocado para a direita e participou da construção da vitória.
Mas um time não se define na primeira nem na última impressão. Se constrói no processo. Jogo a jogo, peça a peça.
Por isso, talvez a melhor resposta para o ditado lá do começo seja outra: nada resiste ao trabalho.
E esse Brasil está só começando. Ainda não é sobre impressão. É sobre construir, com o tempo, uma marca, como tantos outros times que marcaram essa história centenária.
Manutenção
Mesmo sendo um jogo de transição, eu manteria o time para enfrentar o Blumenau, que fez três no São José no Francisco Novelletto e também estreou na temporada. Alan pode ser uma alternativa para o segundo tempo, mas a base merece sequência. O ideal é que as peças ofensivas cheguem para dar mais opções ao Gilson.
Continuidade
Alessandro Telles está no mercado após ser vice-campeão paraibano pelo Sousa e sair depois da Série D. É um nome interessante para o Pelotas, caso esteja disponível e fora do radar de clubes de Série C e D. Mesmo com o intervalo entre a Copinha e a A-2, seria uma aposta de continuidade.