Cinco movimentos da última semana colocaram um novo elemento no tabuleiro político de Pelotas. Da esquerda para a direita, Fernanda Miranda, do PSOL, Miriam Marroni, do PT, Paula Mascarenhas, do PSD, Maíra Lessa, no Podemos, e Adriane Rodrigues, agora no Republicanos, confirmaram candidatura a deputada estadual. O grupo reúne perfis diferentes. Fernanda representa uma esquerda mais identificada com pautas de mobilização social. Miriam carrega experiência institucional, com passagens pela Assembleia e atuação recente no governo Fernando Marroni. Paula entra com o peso de quem foi vice-prefeita, prefeita por dois mandatos e depois secretária no governo Eduardo Leite. Adriane tem sobrenome tradicional na política local, foi candidata a vice-prefeita na última eleição e agora tenta se reposicionar em outra legenda. Maíra vem de fora da política de carreira, mas tem histórico familiar no meio, já disputou eleição e traz consigo a visibilidade acumulada como apresentadora de TV.
Esse conjunto de candidaturas tem valor simbólico, mas não só. Ele aparece em um momento em que a política ainda oferece às mulheres espaço menor do que o tamanho do debate que passa por elas. Na Câmara de Pelotas, por exemplo, são três mulheres e 18 homens. Em parlamentos de várias escalas, a lógica segue parecida. Há candidatas, por exigência legal e por necessidade partidária, mas os eleitos continuam sendo majoritariamente homens. Isso tem efeito direto sobre prioridades e peso interno nas articulações. E o tema fica ainda mais sensível quando o noticiário recente segue atravessado por casos de violência contra a mulher e cobranças por respostas mais firmes do poder público.
Do ponto de vista eleitoral, as cinco colocam Pelotas em um cenário incomum, com candidaturas femininas relevantes distribuídas por vários campos ideológicos. Isso não significa, porém, que elas estarão sozinhas na disputa regional. Há outros nomes da região, homens e mulheres, em preparação para a corrida à Assembleia. Por isso, qualquer projeção precisa ser lida com cautela. Mas em uma hipótese ultra concentrada, se o eleitorado pelotense se distribuísse com muita força entre essas candidaturas locais, cada uma poderia trabalhar com algo perto de 35 mil votos. Não é previsão, nem tendência. É só uma simulação para medir teto de competitividade.
Dependendo da legenda, um volume nessa faixa colocaria algumas delas em condição real de disputa. Nas últimas eleições, Republicanos e Podemos, por exemplo, elegeram um deputado estadual com cerca de 28 mil votos. No PSD, a faixa ficou mais perto de 36 mil, mas o atual crescimento do partido também amplia a concorrência interna. No PT, o piso também gira nessa casa, com uma diferença importante: trata-se de uma sigla tradicional, que costuma fazer votação de legenda e montar chapa forte, embora desta vez possa não ter alguns de seus nomes mais pesados de outros ciclos, como Valdeci Oliveira, Pepe Vargas, Jefferson Fernandes e Mainardi. No PSOL, a lógica é outra. A legenda não tem o mesmo lastro geral dos partidos maiores, mas costuma concentrar votos em figuras muito competitivas, como Luciana Genro e Matheus Gomes.
Por isso, a pergunta sobre se esta é a vez das mulheres não pode ser respondida só no plano do discurso. Há uma dimensão de representatividade, de pressão social e de necessidade política em um momento em que temas ligados às mulheres exigem mais espaço, mais voz e mais força institucional. Mas há também uma leitura pragmática dos partidos, que enxergam nessas candidaturas não apenas um símbolo do tempo, mas nomes com potencial real de voto.
Apoio ampliado
A Câmara aprovou, nesta semana, dois projetos do vereador Tauã Ney (PSDB) que autorizam a Prefeitura de Pelotas a criar benefícios para pacientes oncológicos e pessoas em hemodiálise. Um deles trata do passe livre no transporte coletivo urbano e rural, inclusive para os acompanhantes. O outro prevê a isenção do IPTU para moradores da cidade diagnosticados com câncer.
Na prática, a proposta do passe livre tenta reduzir um custo frequente de quem depende de deslocamentos constantes para tratamento. São casos em que o paciente precisa ir várias vezes ao hospital, clínica ou serviço de saúde, o que pesa no orçamento e também na rotina da família. Já a isenção do IPTU tem foco em aliviar parte da pressão financeira enfrentada durante o tratamento, permitindo que os recursos sejam direcionados para despesas ligadas à saúde.
Como os dois projetos são autorizativos, a aprovação da Câmara não obriga a Prefeitura a colocar os benefícios em prática automaticamente. Para terem efeito real, ainda dependem de sanção do Executivo e, depois, da regulamentação de como isso funcionaria na prática. Mesmo assim, a votação sinaliza um movimento político de ampliar a rede de apoio a pacientes que enfrentam doenças graves e tratamentos longos.
Dupla confirmada
A deputada estadual Silvana Covatti (PP) foi oficializada como candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Luciano Zucco (PL) para a disputa ao Palácio Piratini em 2026. A definição ocorreu após reunião da executiva estadual do Progressistas, que confirmou o nome da parlamentar para compor a aliança entre os dois partidos. Silvana leva para a chapa a experiência de mais de uma década na Assembleia Legislativa, onde já presidiu a Casa, de passagem pelo comando da Secretaria Estadual da Agricultura, e de uma família ligada à política. A escolha também reforça a presença do PP na composição e amplia a inserção da pré-candidatura de Zucco no interior do Estado, onde a deputada tem base consolidada.
Com a confirmação, a aliança entre PL e PP se estrutura como um dos principais blocos da direita gaúcha na corrida eleitoral. Assim, estão preenchidas as quatro vagas de pré-candidatos da aliança formada por PL, PP, Novo, Republicanos e Podemos nas disputas majoritárias. Além de Zucco e Silvana, que irão para a disputa ao Governo, os deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL), são os pré-candidatos ao Senado.
Neste sábado, o pré-candidato à presidente, Flávio Bolsonaro participa do ato de lançamento da pré-campanha em Porto Alegre.
Escala 6×1
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo federal deve enviar ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência para tratar do fim da escala de trabalho 6×1. Segundo ele, a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca garantir que a proposta avance rapidamente na Câmara dos Deputados e no Senado. A mudança em discussão prevê dois dias de folga remunerados a cada cinco dias trabalhados. Hoje, a regra mais comum permite um dia de descanso após seis dias de trabalho. O projeto que já trata do tema está parado na Câmara há cerca de um mês, o que motivou o governo a adotar o regime de urgência para acelerar a tramitação. Pelo rito explicado por Boulos, após o envio com urgência, a Câmara terá até 45 dias para votar a proposta. Se o prazo não for cumprido, o projeto passa a trancar a pauta de votações. Depois disso, o Senado também terá até 45 dias para analisar o texto. Na prática, o governo projeta que o tema seja decidido em até 90 dias.