A Associação dos Produtores de Doces de Pelotas decidiu reajustar em 13,33% o valor da unidade do doce tradicional de Pelotas, que passa a custar R$ 8,50. Impulsionado pela alta de insumos como açúcar, chocolate e ovos, além dos custos de produção, o aumento foi anunciado pelas doceiras no mês em que tradicionalmente ocorre o reajuste: abril.
A presidente da Associação, Simone Maciel Bica, explica que o ovo é a principal base das receitas dos doces tradicionais e teve aumento de preço. A caixa com 360 unidades passou de R$ 210,00 para R$ 230,00. Além disso, insumos como o chocolate também contribuíram para o reajuste. O chocolate em pó 50%, utilizado nas massas de leite condensado para brigadeiro, também teve aumento significativo.
Segundo Simone, além dos ingredientes diretamente utilizados na produção, os custos indiretos também pesaram no reajuste. “Além dos insumos para fazer o doce, como chocolate, chocolate em pó e ovos, os custos indiretos aumentaram muito. A energia elétrica está muito cara, assim como a gasolina, que usamos para comprar insumos e fazer entregas. O transporte dos funcionários e a carga tributária também subiram. São despesas que não temos como reduzir”, afirma.
Ela destaca que alterar a receita para baratear a produção não é uma opção para as doceiras. “A única forma de baixar o custo seria modificar o produto, mas isso a gente não abre mão. Pelotas é reconhecida como a Capital Nacional do Doce, e esse doce precisa manter o padrão de qualidade. Para manter esse padrão, foi necessário ajustar os valores”, explica.
Tentação reduzida
Entre os consumidores, o aumento do preço impacta, mas é compreensível. A aposentada Augusta Medina, 58, reconhece que o preço pesa no bolso, mas ressalta a importância de valorizar o produto tradicional da cidade. “Os ovos podem até estar mais baratos agora, mas o chocolate está mais caro. Tem doces que levam café também, que aumentou bastante. Claro que o consumidor sente o impacto”, afirma. “Mas também é preciso olhar para o outro lado. É um trabalho artesanal, que faz parte da identidade da nossa cidade. É caro, mas acho que precisa ser valorizado. É um produto de qualidade e tem até selo de certificação.”
Outros consumidores avaliam que o valor já vinha elevado antes mesmo do reajuste. A funcionária pública Andréa Muniz, 55, considera que o aumento dificulta o consumo frequente. “Já estava caro antes. Agora, passando de R$ 7,50 para R$ 8,50, fica ainda mais difícil”, comenta.
