Subsídio ao diesel deve reduzir preços, mas efeito será limitado

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Subsídio ao diesel deve reduzir preços, mas efeito será limitado

Impacto será parcial; Sulpetro diz que ainda é cedo para medir

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Subsídio ao diesel deve reduzir preços, mas efeito será limitado
Governo do Estado aderiu a medida federal de subsídio de R$ 1,20 no preço do óleo diesel importado (Foto: Jô Folha)

A adesão do Rio Grande do Sul à política de subsídio ao óleo diesel deve gerar alguma redução no preço ao consumidor, mas o impacto será parcial e não imediato. A avaliação é do economista Eduardo Tillmann. Segundo ele, “o esperado é que haja redução de preço para o consumidor”, mas com variantes importantes sobre o quanto será reduzido e quando será possível sentir essa redução.

O economista explica que esse efeito depende de vários fatores, como a concorrência entre postos, os estoques já comprados e a estratégia de margem de lucro. “Se o posto comprou já o óleo diesel fora desse subsídio há pouco tempo ele está com bastante estoque e vai tender a demorar um pouco para repassar esse novo óleo diesel”. Outro ponto de preocupação é que a medida não atinge todo o mercado. “Essa política é específica para o óleo diesel importado que é uma fração do que a gente consome”, explica.

Efeito não vai ser imediato

Segundo Tillmann, ainda há a possibilidade de perdas ao longo da cadeia de distribuição, o que torna ainda mais demorado o impacto. “Existe toda uma cadeia de distribuição do óleo diesel e com certeza, um pouco desse subsídio vai sendo absorvido também”. Com isso, o impacto final tende a ser reduzido e demorado. “O efeito provavelmente vai existir, vai haver uma redução no preço do óleo diesel, mas o efeito final dessa política vai ser limitado e defasado. Não vai ser imediato”.

Setor agrícola deverá ter impacto

O reflexo no custo de vida deverá ser pequeno, visto que o óleo diesel é apenas uma parte dos custos totais de produção. Por isso, “o efeito esperado em termos de preço para o consumidor final de todos os produtos é um efeito relativamente pequeno”, explica. Ainda assim, alguns setores podem sentir mais, principalmente na área agrícola. “Influencia um pouco mais na questão da produção agrícola que depende muito do óleo diesel”.

Combater a volatilidade

Para o economista, o principal objetivo da medida é conter a volatilidade dos preços, especialmente em função do cenário internacional. “O objetivo mais palpável dessa política é muito mais evitar com que o consumidor final absorva toda a volatilidade que a gente está observando no preço do petróleo”. Ele reforça que o consumidor continua sendo impactado, mas em menor escala. “Parte é absorvida pelo Estado”.

Sulpetro prefere aguardar

Já o Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro) afirma que ainda é cedo para medir o impacto da medida no preço ao consumidor.

Em nota, a entidade informa que o setor aguarda a adesão das distribuidoras à política definida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o sindicato, “o segmento varejista de combustíveis somente poderá tomar conhecimento sobre o eventual efeito sobre o preço do produto a partir da adesão de produtores e importadores à subvenção”.

O Sulpetro também destaca que o governo federal ampliará o subsídio ao diesel importado para R$ 1,20 por litro, sendo metade custeada pela União e metade pelos Estados que aderirem à medida, como é o caso do Rio Grande do Sul.

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