“O produto que vem da lagoa e do mar está saindo como água”, diz um pescador na banda do Mercado Público Central às vésperas da Sexta-Feira Santa. Com movimento intenso, a reposição dos pescados é a todo momento, embora os preços ainda estejam um pouco salgados para poder variar a ceia da Semana Santa, já que muitos seguem a tradição religiosa de não comer carne nesse dia. A boa notícia, para quem ainda não conseguiu adquirir peixe, é que as bancas estarão abertas nesta sexta (3).
Entre os preferidos dos consumidores estão o camarão, a pescadinha e os filés. Há quem goste da tainha assada ou em posta, sendo que o quilo da peça inteira está em R$ 19,90 e, em pedaços, R$ 22,90. Já a corvina está em média R$ 29,50 o quilo. Os pescados sem espinhos ficam em média R$ 40,00, sendo que o filé de linguado é o mais caro, custando R$ 63,00.
Para conquistar o freguês, os vendedores apostam na conversa direta e na divulgação das ofertas em voz alta, convidando os consumidores a conferir os produtos expostos nas bancas. A pescadora Sindel Gabriel da Costa de Matos, 24, conhecida como Gabi, conta que o movimento começou a aumentar a partir de quarta-feira. Segundo ela, os produtos mais procurados são camarão, abrótea e pescada.
Gabi explica que muitos consumidores preferem os peixes sem espinhos, como cação, anjo e linguado, por serem mais fáceis de preparar e consumir. Além do pescado fresco, outros produtos também chamam a atenção nas bancas, como o peixe seco e o bolinho de bacalhau, que fazem sucesso entre os clientes que mantêm a tradição da Semana Santa. A origem do pescado vendido no Mercado Público é de diferentes localidades da região. “Tem peixe da lagoa, de Rio Grande e de vários outros lugares”, relata a pescadora.
Ceia completa
Entre os consumidores que passaram pelo local estava a aposentada Dora Cláudia Araújo, 58, que ainda analisava as opções disponíveis antes de decidir o que levar para a ceia de Sexta-Feira Santa. Em casa, ela costuma preparar bolinho de peixe, além de pratos fritos ou assados, acompanhados de saladas, arroz ou massa.
Segundo Dora, a preferência da família é por filés. “Peixe frito é o que o pessoal mais gosta, mas também dá para fazer no forno, com batatinha”, conta. Para ela, manter a tradição de não consumir carne na Sexta-Feira Santa continua sendo importante.
Feira do Pescador nos bairros
Nos bairros, a 26ª edição da Feira do Pescador já movimenta diferentes regiões de Pelotas, com 46 bancas autorizadas para a comercialização de pescado durante o período que antecede a Sexta-Feira Santa. Considerada um dos principais momentos de geração de renda para os pescadores locais, a feira ocorre em pontos estratégicos da cidade, buscando facilitar o acesso da população ao produto.
