No dia 16 de abril, a Associação Comercial de Pelotas (ACP) terá uma nova presidente. Aos 59 anos, Elisa Echenique Gioielli assume o comando da entidade com uma trajetória marcada pelo empreendedorismo, atuação técnica e envolvimento crescente dentro da própria associação.
Um processo natural
A ligação com a ACP começou em 2018, após se tornar associada. “Conheci o trabalho que a Associação Comercial vinha fazendo, isso me encantou e eu quis fazer parte dessa estrutura”, relata. Desde então, passou por diferentes funções, como o Conselho Fiscal, onde foi secretária e presidente, e também atuou como vice-presidente de serviços e, posteriormente, do agronegócio. Para ela, a chegada à presidência é um processo natural: “Hoje, assumir a presidência é uma consequência do trabalho que a associação faz e desse pertencimento que eu sinto dentro da associação”.
Desafio coletivo
Ao explicar a motivação para assumir o cargo, Elisa reforça o caráter coletivo da entidade. “Na verdade, o desafio não é pessoal, ele é um desafio coletivo. A associação comercial é um senso de coletividade”, afirma. Segundo ela, as decisões não são individuais: “Não é um CPF que está acima de todos nós, é o CNPJ da Associação Comercial”.
Experiência no empreendedorismo
Formada em contabilidade, Elisa construiu parte da carreira no interior de São Paulo, onde atuou na gestão do agronegócio. Foi também ali que iniciou sua trajetória empreendedora, motivada por uma necessidade pessoal. “Meus filhos eram alérgicos ao leite de vaca e surgiu uma oportunidade então e eu virei empreendedora, na verdade mais por força da necessidade”, conta. A partir disso, passou a trabalhar com produção de leite de cabra e derivados, voltados principalmente para crianças com restrições alimentares. “Aquilo ali para mim era uma missão de trazer saúde para os meus filhos e acabou que isso se reverteu para outros clientes”, lembra.
De volta a Pelotas, abriu um negócio voltado a alimentos para pessoas com restrições, incluindo diabéticos, mas optou por interromper a atividade para se dedicar à família. Anos depois, retomou a carreira profissional, atuando como perita em auditoria contábil e participando de processos de reestruturação em fundações.
Continuidade do trabalho
Sobre a gestão à frente da ACP, Elisa afirma que não pretende mudar a essência da entidade, mas imprimir características próprias. “A nossa essência continua a mesma, mas agora com um olhar feminino talvez mais sensível, estratégico”, diz. A ideia é fortalecer o papel da associação na cidade: “O nosso objetivo aqui é manter já essa presença de uma forma onde a associação comercial tenha esse protagonismo dentro das atividades, tanto públicas quanto privadas”.
A associação para servir
A nova presidente também destaca a importância de ampliar o apoio aos empreendedores, citando iniciativas já em andamento, como o Tech Business, o Congresso das Mulheres e parcerias com o Sebrae. “O nosso objetivo aqui dentro da Associação é ter a associação como protagonista, mas como protagonista para servir”, afirma, ressaltando a intenção de oferecer suporte em áreas como gestão, orientação jurídica e capacitação.
Para que Pelotas cresça
Outro ponto levantado por Elisa é a necessidade de melhorar a infraestrutura da cidade para atrair investimentos. “Uma grande empresa para poder vir para Pelotas precisa ter o básico, ou seja, uma boa rede elétrica, uma boa rede de esgoto, o acesso fácil”, aponta. Segundo ela, a falta dessas condições pode afastar novos empreendimentos: “Como é que tu vais botar uma grande empresa que não tem luz? Não tem como, ela vai para outro lugar”.
Liderança feminina
Ao falar sobre liderança feminina, Elisa avalia que o espaço vem sendo ampliado ao longo dos anos dentro da entidade. “A associação comercial é uma associação muito jovem e de mente muito aberta. A mulher sempre teve essa abertura”, afirma, lembrando que já houve uma presidente mulher há cerca de 30 anos. Agora, ela será a terceira a ocupar o cargo.
Acreditar no próprio negócio
Por fim, Elisa deixa uma mensagem aos empreendedores: “Acredite no seu negócio. Mesmo em momentos difíceis, a gente tem que acreditar que é capaz e que é possível empreender”. E reforça o papel da entidade como apoio: “Dizer que eles não estão sozinhos, que a associação comercial está aqui exatamente para trazer esse apoio”.