O prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador, afirmou que o município vive um momento de maior tranquilidade após avanços nas negociações com o governo federal para garantir a continuidade da atividade carbonífera durante o processo de transição energética. Em entrevista à Rádio Pelotense, nesta terça-feira (31), ele destacou que a cidade trabalha para manter a geração de energia a partir do carvão até 2040, ao mesmo tempo em que investe em alternativas sustentáveis e na diversificação econômica.
Segundo Folador, a aprovação da chamada PEC 1304 foi decisiva para o setor. A medida assegura contratos de fornecimento de energia e dá previsibilidade ao funcionamento das usinas termoelétricas do município. “Foram cinco anos de luta até conseguirmos essa aprovação. Agora, a cidade está mais tranquila”, comemora.
Plano de descarbonização
Dentro desse processo, Candiota já começa a implementar iniciativas voltadas à descarbonização. Um dos principais projetos é a implantação de uma planta de hidrogênio verde, classificada em primeiro lugar em edital do governo do Estado. A proposta prevê a substituição do hidrogênio de origem fóssil pelo combustível limpo, produzido a partir de energia solar. “Isso já é parte concreta da transição energética”, diz.
Novas produções a partir do carvão
O município aposta em inovação para reduzir a dependência do carvão. Um projeto em andamento prevê a transformação do Centro Cultural em um polo tecnológico, com apoio da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e recursos estaduais. A iniciativa ainda depende de aprovação do governo do Estado.
Folador revelou novas possibilidades industriais a partir do carvão mineral, com uso de tecnologia chinesa. Amostras do minério foram enviadas à China para testes que podem viabilizar a produção de metanol, ureia, fertilizantes e outros insumos. “O Brasil importa grande parte dos fertilizantes que consome. Podemos produzir aqui em Candiota”, afirma.
A proposta inclui ainda tecnologias de captura de carbono, capazes de reter até 90% das emissões de CO₂, com possibilidade de reaproveitamento na produção industrial. Segundo o prefeito, a meta é alcançar a neutralidade de carbono no futuro.
Apesar da forte ligação histórica com o carvão, o município busca ampliar sua base econômica. Atualmente, também investe na produção de vinhos, azeite de oliva, leite e derivados. “Estamos fortalecendo outras cadeias produtivas para não depender exclusivamente do carvão”, destacou.
Abastecimento de água continua sendo um desafio
Outro desafio da região segue sendo o abastecimento de água. O prefeito informou que Candiota não enfrenta racionamento desde 2021, mas realiza ações de conscientização e distribuição emergencial em áreas rurais. Um investimento de R$ 9,8 milhões, via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deve ampliar a rede de abastecimento no município.
Folador defendeu ainda a criação de uma política nacional para enfrentamento das estiagens na metade sul do Rio Grande do Sul, com investimentos em reservação de água e irrigação. A proposta é liderada por prefeitos da região e já foi encaminhada ao governo federal. “Precisamos de soluções estruturais, assim como ocorreu no Nordeste com a transposição do São Francisco”, conclui.
