Eduardo Leite deixou bem clara a frustração com o próprio partido, o PSD, que decidiu lançar Ronaldo Caiado à presidência da República. Política, todos sabem, é um ambiente de egos, frustração e constantes traições. Mas também de retomadas. Diante de uma carreira vitoriosa em pleitos até aqui, de quem saiu de suplente de vereador a postulante ao Planalto em pouco mais de duas décadas, o pelotense parece não ter aprendido a perder, nem a esconder seus sentimentos quando a coisa sai de seu controle. A repercussão da atitude só o tempo vai dizer. Mas o momento é de indignação com a própria sigla, e com certa razão.
Leite tinha mais potencial de crescimento, segundo pesquisas internas do partido. E tinha algo que Caiado não tem: representa um campo pouco ocupado neste momento de polarização, o centro. Ronaldo Caiado é um político conservador clássico, que conversa mais com a direita do que com o centro. Diante da força de Flávio Bolsonaro neste campo, há uma tendência de que seja uma candidatura apenas protocolar, já pensando em apoios e alianças para o segundo turno, mirando cargos e afins. Essa é a política que gera o descontentamento do brasileiro em geral.
Diante de mais uma eleição de mais do mesmo, é natural que Eduardo Leite esteja decepcionado, sobretudo com o aceno que havia do próprio partido quando ele migrou do PSDB. A falta de uma alternativa ao centro agora indica que o brasileiro, mais uma vez, vai ter que optar entre direita e esquerda e basicamente entre bolsonarismo e lulopetismo, pelo terceiro pleito consecutivo.
Há a curiosidade sobre o futuro de Leite daqui para frente. Quatro anos é muito tempo em política e podem servir tanto para ele se fortalecer como uma alternativa viável para 2030 quanto para sumir completamente do mapa. Depende muito de como ele agirá. Mas há, principalmente, um lamento atual endossado por tantas pessoas que gostariam de ter mais alternativas para não vivermos outra eleição altamente ideológica e com a polarização pautando o debate. Não será dessa vez.
