Mostra promove reflexão sobre a enchente de 2024

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Mostra promove reflexão sobre a enchente de 2024

Projeto artístico será apresentado no Centro de Artes da UFPel

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Atualizado segunda-feira,
30 de Março de 2026 às 11:02

Mostra promove reflexão sobre a enchente de 2024
Foto do trapiche destruído devido a cheia na Lagoa dos Patos faz parte da exposição (Foto: Felipe Campal)

Quem visita o Pontal da Barra e depara-se com uma paisagem exuberante da lagoa, que faz ligação com o canal São Gonçalo, dificilmente não se questiona: até onde a água atingiu a comunidade em 2024? A vida pacata dos moradores ao cair da noite já não deve ser a mesma quase dois anos depois da enchente que afetou 478 municípios, mais de 2,3 milhões de pessoas e deixou 806 feridos, além de 25 desaparecidos e 184 mortos.

Pois um um projeto que reúne arte, memória e reflexão sobre a maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul será apresentado ao público nesta terça-feira (31), em Pelotas. O lançamento e a apresentação do “Reflexos Submersos – Olhares sobre a enchente no RS em 2024” ocorrem às 18h30min, no Auditório 1 do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com entrada gratuita.

A atividade marca a etapa de conclusão do projeto contemplado no edital Sedac/Penab RS Artes Visuais 2024 e irá detalhar o processo de criação da iniciativa, desde o desenvolvimento do conceito e da identidade visual até a seleção dos artistas e a construção do memorial artístico e documental que será disponibilizado em formato de website.

De acordo com o coordenador, Emerson Ferreira, a proposta do projeto é criar uma galeria virtual de artes visuais reunindo obras inspiradas nas enchentes que irão completar dois anos. A plataforma online apresentará produções em fotografia, audiovisual e desenho ou pintura, elaboradas a partir do olhar reflexivo de artistas sobre os impactos sociais, emocionais e políticos provocados pela tragédia.

“Eu acho que essa expressão que surgiu, reflexos submersos, fala muito. E a ideia de um memorial artístico e documental é utilizar a obra de arte, e fazer dela um registro de memória”, conceitua Ferreira. Para ele, reunir a visão de artistas sobre um fato que aconteceu sendo este difícil e urgente, é utilizá-lo como um documento de memória.

“Contém registros, imagens, fotografias, audiovisuais, desenhos, tudo a partir da catástrofe de 2024. Então é isso, acredito que é um documento de memória através da obra de arte”.
Além disso, o projeto busca promover uma reflexão sobre as consequências das mudanças climáticas, pois as obras retratam cenas de devastação urbana e rural, e destacam o espírito de solidariedade e resiliência que emergiu entre as comunidades durante a crise.

Com acesso aberto ao público, a galeria online pretende ampliar o alcance dessas narrativas, permitindo que visitantes de diferentes partes do mundo conheçam os trabalhos e reflitam sobre a urgência do tema.

Ao todo, o memorial reunirá obras de 13 artistas visuais. Cinco deles foram pré-selecionados: Felipe Campal, Cíntia Langie, Rafael Sica, Daniel Moreira e Valder Valeirão, que vivem em Pelotas e foram diretamente impactados pelas enchentes em suas vidas e ateliês. Outros oito artistas foram escolhidos por meio de chamada aberta, mediante curadoria formada especialmente para o projeto, ampliando a participação de criadores de diferentes regiões do Estado afetadas pela tragédia.

São eles:

  • Alê Bruny – Porto Alegre (Fotografia)
  • Camila Berwanger – Porto Alegre (Audiovisual)
  • Carolina Leipnitz – Lajeado (Fotografia)
  • Feu Cardoso – Novo Hamburgo (Pintura)
  • Leandro Selister – Porto Alegre (Fotografia)
  • Natália Pimentel – Porto Alegre (Audiovisual)
  • Ricardo Freitas “Donga” – Arroio Grande (Desenho)
  • Sérgio Rodrigues – São Leopoldo (Desenho).

Sobre o projeto

A apresentação desta terça-feira integra o conjunto de ações públicas da iniciativa, que também se desdobra em atividades de pesquisa, produção artística, publicação e formação.

O projeto conta com apoio institucional do Centro de Artes e do Programa de Pós-Graduação em Artes da UFPel, da CAPES e do grupo de pesquisa “Artefatos para leitura e construção do Pequeno Território”. A realização ocorre com financiamento do Pró-Cultura RS, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Agenda

  • O quê: lançamento do projeto Reflexos Submersos – Olhares sobre a enchente no RS
  • Quando: dia 31 de março (terça-feira), às 18h30min
  • Onde: auditório 1 – Centro de Artes da UFPel (rua Coronel Alberto Rosa, 62, Centro, Pelotas)

Entrada gratuita e aberta ao público.

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