A importância de uma candidatura de centro

Editorial

A importância de uma candidatura de centro

A importância de uma candidatura de centro

Pode parecer bairrismo puro e simples um jornal com sede em Pelotas afirmar que o futuro de uma eleição que debata um projeto de país passa por uma candidatura de centro, quando a principal alternativa desse campo político é justamente um pelotense. Mas fato é que com as peças no tabuleiro atual, pendemos para uma eleição que, mais uma vez, vai discutir apenas o bolsonarismo e lulismo, direita e esquerda e esse doisladismo que arrastou o país para um buraco de falta de projeto nos últimos anos.

Se Eduardo Leite vai ou não ser a candidatura de centro, isso será decidido apenas amanhã. Há uma boa tendência que sim. Porém, sendo ou não ele, é preciso ter algum nome competitivo, ou que pelo menos jogue luz sobre outros temas na discussão que se avizinha para definir os próximos quatro anos do país e puxe a discussão para outros temas. Se seguirmos nesse preto e branco, será mais uma eleição de embate ao invés de propostas. Políticas sociais, econômicas e de desenvolvimento ficam relegadas a um segundo plano quando a argumentação se torna nós versus eles.

O campo da esquerda parece solidificado em torno de uma candidatura de Lula, que postula seu quarto mandato. Na direita, Flávio Bolsonaro surge como herdeiro de seu pai, Jair Bolsonaro, mas nomes como Romeu Zema, Renan Santos e até o próprio Ronaldo Caiado, que embora compita com Leite pela nomeação do PSD, é bem mais posicionado à direita, também buscam seu lugar ao sol. E o centro, até aqui, parece apenas esperar para ver.

E é aí que reside a preocupação da grande maioria dos brasileiros. A sensação do cidadão comum é que essa polarização já cansou e a falta de alternativas ajuda a afastar ainda mais o público do grande debate e da esperança. E, se pendermos realmente para isso, será mais uma eleição em que o projeto de desenvolvimento de país ficará em segundo plano diante de mais personalismo.

Se a alternativa de centro será Eduardo ou não, se será eleita ou não, isso o tempo e as urnas vão dizer. Temos mais de seis meses pela frente e isso é uma eternidade quando se fala em política. Mas precisamos pelo menos ter a oportunidade, enquanto nação, de ter alguém que tente oxigenar um pouco a discussão sobre o futuro, sem correr o risco de termos uma terceira eleição presidencial com as mesmas pautas e pouquíssimas soluções apresentadas, e sem ser apenas figura de suporte para um dos lados. A própria democracia agradece.

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