Por: Cíntia Piegas
Há 90 anos
A crise nos Correios não é de hoje. No final do mês de março de 1936, as páginas de um jornal de Pelotas noticiavam a falta de pessoal para a entrega de correspondência postal e telegráfica, prejudicando todos os serviços da cidade, em uma época em que a comunicação dependia desse tipo de serviço. Diante de constantes atrasos na distribuição de mensagens, a Associação Comercial pedia reforço de funcionários. Segundo relatos da época, a situação prejudicava o andamento dos negócios e causava prejuízos ao comércio.
Diante das constantes reclamações, a ACP assumiu a defesa do tema e passou a pressionar as autoridades responsáveis para que o problema fosse resolvido. A entidade chegou a encaminhar diversos pedidos aos órgãos competentes, sem que até então houvesse solução definitiva para a situação.
A diretoria da associação manifestou-se oficialmente, enviando um apelo ao diretor regional dos Correios e Telégrafos, em Porto Alegre, solicitando providências urgentes. No documento, os representantes do comércio explicavam que a estação telegráfica local enfrentava grave falta de telegrafistas, o que obrigava a utilização de mensageiros já treinados para operar os aparelhos.
Com isso, o serviço de entrega de telegramas ficava prejudicado. Apenas três mensageiros eram responsáveis pela distribuição, já que outras vagas permaneciam abertas após casos de falecimento e demissões. A escassez de pessoal fazia com que a entrega de mensagens sofresse atrasos de até um dia.
Apesar da dedicação dos funcionários, que frequentemente trabalhavam além do expediente regular, o problema persistia. Conforme relatava o documento, o próprio agente local dos Correios chegou a contratar mensageiros auxiliares com recursos próprios, numa tentativa de amenizar os atrasos e atender melhor ao público.
Ao final do apelo, a Associação Comercial destacava que a situação vinha gerando queixas generalizadas e dificultava as atividades do comércio e da indústria na cidade. Por isso, solicitava que o quadro de pessoal fosse recomposto, de modo que o serviço telegráfico pudesse atender às necessidades do tráfego local. O documento foi assinado pelo presidente da entidade, Vitorino Menegotto, e pelo secretário, Aires Adures.
Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense
Há 26 anos
Lideranças da região articulavam retomada da navegação na Lagoa Mirim
Em março de 2000, lideranças políticas e institucionais da Zona Sul discutiam alternativas para retomar a navegação de cargas pela Lagoa Mirim, vista como uma importante hidrovia para o desenvolvimento regional. Na época, a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) realizou uma reunião em sua sede para definir uma estratégia de mobilização em apoio à iniciativa do prefeito de Santa Vitória do Palmar, Artur Corrêa, que defendia a reativação do transporte de cargas pela lagoa.
Durante o encontro, ficou definido que o deputado federal Fetter Júnior atuaria como interlocutor entre a Azonasul e o Ministério dos Transportes. Caberia a ele buscar uma audiência com o ministro Eliseu Padilha, com o objetivo de apresentar o projeto e viabilizar recursos federais para obras de dragagem na Lagoa Mirim.
Na ocasião, a comissão binacional já havia concluído estudos sobre o potencial da hidrovia. A batimetria da lagoa foi realizada pela Agência da Lagoa Mirim, vinculada à Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Novas análises, desenvolvidas em parceria com o Instituto de Pesquisas Hídricas do Governo do Estado, indicavam a necessidade de cerca de R$ 5 milhões para a dragagem da lagoa e para a recuperação dos portos de Santa Vitória do Palmar e de Jaguarão.
Atualmente
Em dezembro de 2025 foi aberto o prazo para envio de propostas de empresas interessadas em executar as obras de dragagem da Lagoa Mirim, etapa fundamental para a implantação da Hidrovia Mercosul. O fim do prazo é agora em março. O edital prevê a elaboração de projetos de engenharia de dragagem e sinalização náutica, além da execução dos serviços no canal navegável que inclui o São Gonçalo, o Sangradouro, a Lagoa Mirim e o acesso ao porto de Santa Vitória do Palmar. De acordo com o Dnit, será permitida a formação de consórcio de até duas empresas, com investimento estimado em cerca de R$ 57 milhões e prazo de 23 meses para execução em um trecho de aproximadamente 251 quilômetros.
Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense