Os paralelismos de Nicole Kidman

Opinião

Renato Cabral

Renato Cabral

Crítico de cinema e membro da Abraccine www.calvero.org

Os paralelismos de Nicole Kidman

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Existe um momento na recente história do cinema em que Nicole Kidman reinava nas telas. Era a atriz mais bem paga e, por vezes, era possível ver três filmes seus em cartaz nas salas simultaneamente. Algo que parece impensável para uma geração mais recente que talvez só conheça a atriz por seu protagonismo na televisão e no streaming, com séries como Big Little Lies e, agora, Scarpetta (2026), minissérie lançada recentemente pela Prime Video.

Acostumada a explorar caminhos diferentes em paralelo — seja como atriz e produtora, seja no cinema e na televisão —, Nicole Kidman também sempre manteve o hábito de trabalhar tanto com blockbusters quanto com um cinema dito mais alternativo — independente ou “de arte”. Foi assim que realizou trabalhos com grandes nomes do cinema internacional como Lars von Trier, Werner Herzog e Park Chan-wook, por exemplo.

Numa aposta arriscada, junto a Reese Witherspoon, cimentou em Big Little Lies a era dos grandes nomes do cinema na televisão. E não parou mais. A ponto de chegarmos agora a um momento em que Scarpetta comprova o que a última temporada de Nine Perfect Strangers já havia deixado no ar: Kidman está refém de si mesma, de personagens que emulam outros que já fez.

Baseada na série de livros best-sellers de Patricia Cornwell, Scarpetta traz a atriz como a personagem-título, uma médica legista que, aos poucos, avança seu trabalho para a área investigativa. Quando seu primeiro grande caso, envolvendo um serial killer, volta a ocorrer décadas depois, podendo expor lacunas no processo, seu mundo vira do avesso. Claro que, paralelamente, junta-se a isso uma série de problemáticas familiares, além de escolhas narrativas duvidosas, como a presença de inteligência artificial.

Enquanto a narrativa da série se divide entre passado e presente, conhecemos a versão mais jovem de Scarpetta, interpretada magnificamente pela britânica Rose McEwen, que faz lembrar todos os trejeitos de Nicole Kidman — e também os tempos áureos de uma carreira que trazia mais novidades, riscos e frescor. O que Scarpetta passa longe.

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