É perceptível que a população de rua em Pelotas, sobretudo na região do Centro Histórico, é um dos temas que precisam ser encarados urgentemente pela gestão pública e também percebidos pela sociedade. É uma situação que abrange as mais variadas frentes, que incluem segurança pública, imagem da cidade, mas principalmente a questão humanitária. São cerca de 900 pessoas vivendo nas ruas atualmente. O inverno está chegando. A promessa de um espaço de acolhimento, tão alardeada lá atrás pelo governo do Estado, não andou até aqui.
O tema foi um dos que mais norteou o debate eleitoral em 2024. Todo mundo tinha opiniões sobre. Na época, um levantamento do Ministério Público – que depois se provou errado e foi corrigido – noticiava que a cidade liderava o número de pessoas em situação de rua no Estado. O Grupo A Hora entrevistou todos os candidatos. Marroni, por exemplo, prometeu que a política habitacional ajudaria a contornar o número, assim como ampliação de serviços sociais. Foi eleito, mas, de lá para cá, pouca coisa mudou. A Assistência Social passou por mudanças, é uma das pastas mais criticadas pela Câmara, e tem agora pouco mais de um mês e meio até a chegada do frio intenso para resolver ao menos parte dessa demanda.
A matéria de capa da edição de sexta-feira do A Hora do Sul expõe uma cidade que, infelizmente, acostumou-se a cruzar com pessoas em situação de rua diariamente e a quase ignorá-las. E aí não entra só poder público. Há muitos voluntários, de muitas entidades, que buscam oferecer acolhimento, mas pouquíssimo é feito no âmbito geral para virar o jogo. Quando se tem pessoas acampando na praça Coronel Pedro Osório, quando se formam pequenos condomínios de pano nas calçadas e quase 900 pessoas têm na rua o seu lar, todos os sinais de alerta precisam estar acesos.
