Com o início da Campanha Nacional de Vacinação contra o Vírus Influenza neste sábado, mais de 161 mil pessoas que moram em Pelotas estarão aptas a receber as doses que previnem doenças respiratórias mais graves. A meta é imunizar 90% desse público para estarem protegidos das doenças respiratórias, pois é no outono que elas aumentam, principalmente no público-alvo. A prevenção, para médicos especialistas, ainda é o melhor remédio.
A vacina estará disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além de pontos com horário estendido. A estratégia da Secretaria Municipal de Saúde é ampliar a cobertura vacinal para reduzir complicações, internações e mortes associadas à gripe, especialmente durante o inverno, quando há maior circulação do vírus.
Dados recentes mostram o impacto da baixa adesão à imunização. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou mais de 3,4 mil hospitalizações por gripe, um aumento de 48% em relação ao ano anterior, e 598 mortes, número 106% maior do que em 2024. A maioria dos casos graves ocorreu entre pessoas não vacinadas: 79% das internações e 76% dos óbitos.
De acordo com o médico da Diretoria de Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas, João Alberto Dalla Vechia, a vacinação é fundamental principalmente para evitar formas graves da doença. Embora não impeça totalmente a infecção, ela reduz significativamente o risco de agravamento dos quadros clínicos.
“A gente não diz que a vacina vai impedir que a pessoa tenha gripe, mas ela previne principalmente as formas graves da doença”, explica. Segundo ele, isso também evita a sobrecarga dos serviços de urgência e emergência, já que os casos mais severos não podem ser tratados apenas na atenção básica.
Para marcar a data
A campanha contempla, inicialmente, públicos prioritários (veja o quadro). Após essa etapa, a vacinação será ampliada para a população em geral, conforme orientação do Estado. Além da vacinação, a atuação das equipes de saúde nas UBSs também é estratégica. Durante atendimentos de rotina, profissionais reforçam a importância da imunização e orientam os pacientes a manterem a caderneta em dia. “Nós chamamos essa estratégia de busca ativa”, lembra o diretor. A vacina contra a gripe não exige agendamento e pode ser feita em qualquer unidade, independentemente do local de residência.
Fake news
Outro ponto de atenção destacado pelo médico é o combate à desinformação. Ele alerta que não há evidências científicas que relacionem vacinas ao desenvolvimento de doenças graves, como o câncer. “As vacinas passam por várias etapas de testes e são seguras. O que pode ocorrer são efeitos leves, como reações alérgicas, mas não há estudos que comprovem relação com doenças como o câncer”, afirma.
Por que no outono
A mudança de estação também favorece o surgimento e agravamento de diferentes doenças respiratórias. Segundo a médica pneumologista Raquel Pereira Janelli da Silva, presidente do Departamento de Pneumologia da Associação Médica de Pelotas (AMP), fatores como queda de temperatura, aumento da umidade e ambientes pouco ventilados contribuem para esse cenário.
“As pessoas tendem a permanecer mais tempo em locais fechados, com menor circulação de ar, o que facilita a disseminação de vírus e o aparecimento de mofo”, explica. Ela conta que existem muitas doenças que podem apresentar piora nessas estações. Infecções respiratórias por vírus como o Influenza, causador da gripe; Sincicial Respiratório, causador da bronquiolite em crianças e com importante impacto no adoecimento em idosos; rinovírus causador do resfriado, SARS-COV-II, causador da COVID-19 podem ser mais frequentes nessa época do ano. Doenças crônicas como asma, rinite alérgica e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) também podem apresentar piora dos sintomas.
A especialista destaca que quadros alérgicos tendem a se intensificar devido a alterações imunológicas e à maior exposição a agentes irritantes, como poeira e mofo. A rinite alérgica, por exemplo, pode causar crises de espirros, secreção nasal e coceira, impactando a qualidade de vida e podendo evoluir para complicações como sinusite.
Já a bronquite, caracterizada pela inflamação dos brônquios, pode ter diferentes causas, desde infecções até doenças crônicas e também pode se agravar nesse período.
Quando procurar atendimento
Apesar de muitos casos começarem com sintomas leves, é importante estar atento aos sinais de agravamento. Febre persistente, falta de ar, cansaço intenso e dor ao respirar são indicativos de que o quadro pode estar evoluindo e exige avaliação médica. A orientação é buscar atendimento ainda na fase inicial, preferencialmente nas UBSs, evitando que a condição se agrave e necessite de atendimento de urgência.
Para os especialistas, a combinação entre vacinação, diagnóstico precoce e cuidados preventivos segue sendo a melhor estratégia para enfrentar o aumento das doenças respiratórias nos meses mais frios.
