Por: Cíntia Piegas
Há 50 anos
Em entrevista concedida ao jornal da cidade, a direção da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas detalhou as razões que levaram à mudança no funcionamento do Pronto Socorro, serviço que passaria, então, à responsabilidade exclusiva da Prefeitura Municipal.
Segundo fonte da instituição filantrópica, apenas no ano de 1975, a receita do Pronto Socorro atingiu Cr$ 704.142,42, enquanto as despesas alcançaram cifras ainda mais elevadas, revelando o quadro de crescente desequilíbrio financeiro.
“Tais cifras”, acrescentava o informante, “não incluem a verba mensal de cerca de Cr$ 4 mil que a Santa Casa despendeu, no mesmo exercício, para atender às despesas com telefones, água, luz, material de limpeza e conservação do prédio, dos móveis e dos utensílios etc.”
Os dados existentes, prosseguia a fonte, demonstravam que a instituição enfrentava, nos últimos tempos, “dificuldades gigantes” para manter em funcionamento o serviço de pronto atendimento. Isso ocorria mesmo com os repasses recebidos a título de auxílio do INPS, no valor de Cr$ 16.000,00, e do Poder Público Municipal, de Cr$ 30.000,00 mensais.
Além das limitações financeiras, o serviço, descrito como “humanitário e imprescindível”, também vinha sendo alvo de sucessivos prejuízos. “Vezes sem conta”, relatava o informante, sofrera danos morais, decorrentes da divulgação de “fatos distorcidos e inexatos”, e prejuízos materiais, causados pela falta de policiamento, que resultava em depredações reiteradas, amplamente noticiadas à época.
Diante desse cenário, a direção da Santa Casa decidiu pelo fechamento do Pronto Socorro, mantendo contato com o então prefeito Ary Rodrigues. Sensível à gravidade da situação, o chefe do Executivo municipal manifestou interesse em solucionar a crise.
A alternativa encontrada foi a municipalização do serviço, em acordo com o INPS, evitando, assim, um “sério impasse” que inevitavelmente surgiria com a interrupção do atendimento à população.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense
Há 90 anos
Acidente entre veículos se torna situação crítica

Condutor do carro desrespeitou sinalização (Foto: Reprodução)
Em 27 de março de 1936, um acidente de trânsito nos cruzamentos das ruas Marechal Floriano e Andrade Neves chamava a atenção para o desrespeito aos regulamentos do tráfego na cidade, mesmo na presença de inspetores de trânsito. A manchete do jornal foi em forma de crítica às leis: “Pauzinho para inglês vê…”, ou seja, nem mesmo a presença de um agente surtiu efeito no condutor do automóvel, que teria invadido a preferencial e colidido com um caminhão.
A colisão só teve danos materiais, mas o que chamou a atenção da reportagem à época foi o total descaso do inspetor de trânsito que se quer intimou o condutor do automóvel com chapa 193, pertencente a uma firma da cidade. O número do caminhão – 1.115 – também não foi registrado pelo agente, o que na avaliação da reportagem dava margens para ocorrências idênticas e com maior gravidade. Embora o flagrante tenha sido ignorado pela autoridade de trânsito, não escapou do registro da reportagem.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense
Há 26 anos
Mineradora pode se instalar no Porto de Rio Grande

Contato com o Porto era mantido em sigilo (Foto: Reprodução)
Diante das expectativas que já se delineavam para o Porto do Rio Grande, apontado como o futuro “Porto do Mercosul”, autoridades locais revelavam tratativas promissoras com o capital internacional. À época, destacava-se que o terminal gaúcho era “o único que possui retroárea e calado disponíveis para novos grandes projetos”, condição que despertava o interesse de grandes grupos econômicos.
A Superintendência do Porto do Rio Grande havia sido recentemente contatada por uma das maiores empresas do mundo no setor de mineração, em negociações mantidas sob rigoroso sigilo. “Como determina a técnica comercial”, observava-se, os entendimentos vinham ocorrendo de forma reservada, embora já se antevissem resultados considerados altamente positivos.
Os contatos eram realizados com a empresa Rio Tinto, integrante de um poderoso conglomerado internacional com investimentos em diversos continentes, por meio de sua subsidiária argentina, a Rio Tinto/Divisão de Minérios.
Segundo informações apuradas à época, “os dados reais do projeto são mais ambiciosos que os divulgados”, prevendo a movimentação anual de cerca de 11 milhões de toneladas de minério de ferro. A operação envolveria o transporte em grandes navios, consolidando o Porto do Rio Grande como peça estratégica no escoamento da produção mineral no cenário sul-americano.
Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense