Os novos capítulos do Vida Ativa

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

Os novos capítulos do Vida Ativa

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LO Vida Ativa ganhou um novo capítulo na Câmara de Vereadores. Um dia depois de a prefeitura anunciar que manterá o programa com servidores do próprio quadro, o vereador Paulo Coitinho, do Cidadania, protocolou um projeto para autorizar a continuidade da iniciativa sob o nome de Programa Vida Ativa Permanente, com previsão de contratações temporárias, realização de concurso público e ampliação da equipe.

A movimentação ocorreu depois de o projeto anterior, enviado pelo Executivo, ter parado na Comissão de Constituição e Justiça. A proposta foi cortada ainda na CCJ, sem que os opositores apresentassem uma justificativa técnica capaz de sustentar, de forma convincente, o bloqueio à sequência da discussão. O efeito político foi imediato. Além da interrupção do trâmite, aumentou a cobrança sobre vereadores que votaram contra a matéria em um tema de forte alcance social e com presença consolidada nos bairros.
Entre os cobrados estava o próprio Coitinho. Além de acompanhar as votações do bloco de oposição, o vereador tem relação antiga com o programa. Como assessor do já falecido vereador Ademar Ornel, participou dos primórdios do Vida Ativa e conhece o peso simbólico e comunitário da iniciativa. Isso ajuda a explicar por que sua entrada direta no caso valor político, memória institucional e também resposta a uma pressão que cresceu nos últimos dias.

O novo projeto tem caráter autorizativo. Na prática, devolve ao Executivo a tarefa de regulamentar funcionamento, carga horária, remuneração, critérios de seleção e execução do programa. O texto ainda prevê contratações temporárias por até oito meses, concurso público durante esse período e possibilidade de ampliação para até 40 profissionais. Portanto, o que volta à mesa, por outro caminho, é justamente uma discussão sobre estrutura de pessoal e continuidade administrativa, temas que estavam no centro do impasse anterior.

Há, porém, uma diferença política importante. Coitinho integra um campo que tem votado com a oposição, mas mantém trânsito com o governo. Recentemente recusou o convite do prefeito Fernando Marroni (PT) para ser o secretário de Desenvolvimento Rural. E a reunião com a secretária de Governo, Miriam Marroni, reforça esse papel de ponte. Por ocupar essa faixa mais ao centro do plenário, ele pode ter mais facilidade para construir uma saída que não foi possível quando a iniciativa partiu diretamente do Executivo.

Paralelepípedos

Um projeto de lei protocolado na Câmara semana passada propõe regras para a preservação da pavimentação em paralelepípedo nas vias públicas de Pelotas e estabelece critérios para uma eventual substituição. A proposta, de autoria do então vereador Júlio Moura (Rede), determina que esse tipo de pavimento seja mantido sempre que possível, considerando seu valor histórico, cultural, ambiental e urbanístico. Moura retornou à suplência após o cumprimento de suspensão de Fernanda Miranda (PSOL). No entanto, o projeto entrou em pauta.

O texto proíbe a substituição por asfalto ou outro material impermeável, exceto em situações específicas, como obras de infraestrutura essenciais, riscos à segurança de pedestres e motoristas ou casos de calamidade pública. Mesmo nessas hipóteses, a alteração deverá ser precedida de estudo técnico, ato administrativo fundamentado e registro fotográfico da via antes da intervenção.

A proposta também prevê que o Executivo realize manutenção periódica das ruas com paralelepípedo, com uso de mão de obra especializada e técnicas que preservem a permeabilidade do solo. O projeto ainda veda o recobrimento com camada asfáltica quando não houver comprovação de eficiência, apontando que essa prática pode gerar buracos, aumentar custos de manutenção, comprometer a drenagem e descaracterizar a estética das vias.

Na justificativa, o vereador argumenta que as ruas de paralelepípedo contribuem para a drenagem urbana, reduzem alagamentos e preservam a identidade arquitetônica da cidade. O texto também sustenta que intervenções mal executadas com asfalto podem trazer prejuízos técnicos e financeiros, e defende que os recursos economizados com manutenção adequada sejam direcionados para a pavimentação de áreas periféricas. O projeto ainda será analisado pelas comissões da Câmara antes de ir a plenário.

Rota nacional

Eduardo Leite esteve ontem em São Paulo para uma reunião com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, dentro da rodada final de conversas que vai definir o nome do partido para a disputa presidencial. O movimento ocorreu um dia depois de Kassab receber o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, hoje visto como o outro nome da sigla na corrida. O próprio PSD trabalha com a previsão de fechar essa escolha até o fim de março.

Após a reunião, Leite reforçou a linha política que tenta apresentar nacionalmente. Disse que quer “trazer o bom senso de volta para o Brasil” e defendeu uma candidatura que fuja da lógica de confronto entre lulismo e bolsonarismo, com discurso voltado ao futuro, segurança pública e proteção social. Na prática, a fala serve para posicioná-lo como alternativa de centro num PSD que ainda avalia qual nome tem mais viabilidade para 2026.

Leite também tratou de fechar a porta para especulações sobre outros caminhos eleitorais, afirmando que só deixará o governo do Rio Grande do Sul para disputar a Presidência da República. Portanto, descartou sair para concorrer ao Senado ou para compor chapa como vice. Se não houver espaço para sua candidatura ao Planalto, a tendência anunciada por ele é concluir o mandato no Piratini.

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