A localização do Festimar possibilita que os visitantes tenham um olhar diferenciado para o cotidiano do Centro Histórico de Rio Grande. Diferente dos demais dias do ano, o período do festival – que se estenderá até o dia 5 de abril – promove a convivência e diferentes atividades em um espaço que enfrenta o esvaziamento, comum a outros centros comerciais.
Aproveitando este contexto, em parceria com a prefeitura de Rio Grande, o Seminário Centro + Vivo integra a programação do Festimar, até esta sexta-feira (27) no prédio da Alfândega. O encontro é um espaço de diálogo com a comunidade, reunindo especialistas, instituições, entidades e moradores para incentivar a elaboração conjunta de ações para o futuro da região central do município.
O Centro + Vivo é um programa, que reúne um conjunto de projetos, para fortalecer a identidade cultural, ampliar as oportunidades de convivência, turismo e desenvolvimento do bairro.
O evento contou com a presença de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), responsável pela avaliação das propostas de restauro e requalificação. No final das discussões, que serão encerradas hoje, o comitê irá elaborar um documento síntese do seminário, contendo as principais contribuições, propostas e recomendações apresentadas. Esse documento servirá como base para o desenvolvimento das diretrizes e programas do Plano de Gestão do Centro Histórico do Rio Grande – PGCH/RG.
Esvaziamento
Entre os fatores que podem ter impactado no esvaziamento do centro histórico, o superintendente de Planejamento Urbano da Secretaria de Município de Planejamento, Habitação e Regularização Fundiária (Smplanh), Gabriel Fernandes, listou as transformações econômicas, os impactos da pandemia e da enchente de 2024, que resultaram em uma situação de vulnerabilidade sistêmica.
A partir de um trabalho conjunto entre diversas secretarias municipais, a ideia é que o projeto reverta o que é classificado pela gestão como um ciclo vicioso em um ciclo virtuoso, que resultará na valorização do espaço.
Programa
Essa qualificação do Centro envolve novos usos de edifícios com interesse patrimonial, novas soluções de infraestrutura urbanas combinadas com as ideias de economia criativa e solidária. O Centro + Vivo irá se basear em quatro eixos estratégicos: patrimônio cultural, economia e turismo, requalificação urbana e governança.
“Dificilmente a gente vai pensar o patrimônio desvinculado do imaterial e do natural. Essas reflexões que temos que trazer para as discussões no momento de pensar as políticas públicas”, afirma a secretária de Cultura, Rita Rache.
Não há um prazo para que todas as ações sejam desenvolvidas, segundo o executivo rio-grandino, pois trata-se de um plano de governo construído a partir das discussões coletivas.
Números do Centro
- 3.370 imóveis. Destes
- 1.240 comerciais
- 1.879 residenciais
- cinco escolas
- oito hotéis
- dez templos.
Patrimônio:
- 143 prédios históricos inventariados
- 102 estão em condições de abandono
- 84 possuem placas de aluguel
