Raquel Mota, viúva de Marcos Nörnberg, agricultor morto em ação da Brigada Militar no dia 15 de janeiro, se reuniu na manhã desta quinta-feira (26) com o governador Eduardo Leite, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. No encontro ocorreu a entrega de um abaixo-assinado, com mais de 27 mil assinaturas, que pede mudanças em procedimentos de segurança pública, como a implantação de câmeras corporais em policiais militares no interior do Estado e a realização de exames toxicológicos aleatórios e periódicos.
Raquel também escreveu uma carta onde conta ao governador o seu relato sobre o que aconteceu na madrugada da tragédia. Ela afirma ter sido torturada pelos policiais, após seu marido ter sido morto numa troca de tiros.
Segundo a viúva, a reunião foi marcada por escuta e acolhimento. “A conversa com o governador foi muito boa, pude contar a minha história, contar os momentos que vivi e o terror que foi aquela noite. O governador escutou meu depoimento de forma acolhedora e sensível. Consegui explicar o que nos move e entregar o abaixo-assinado”, relatou.
Ela também afirmou que o governador se comprometeu a encaminhar para estudo a criação de uma legislação específica para regulamentar o uso de câmeras corporais e outras pautas apresentadas. A proposta deverá ser analisada pela comissão de segurança.
Investigações seguem sem conclusão
A morte de Marcos Nörnberg é investigada em dois inquéritos diferentes: um conduzido pela Corregedoria da Brigada Militar e outro pela Polícia Civil. As apurações buscam esclarecer a conduta dos policiais envolvidos e possíveis crimes cometidos durante a ocorrência.
De acordo com Raquel, não houve novos desdobramentos recentes no andamento dos processos. Ela relata que foi informada de que a reconstituição do caso não será realizada, após uma decisão judicial que não autorizou a simulação. Desde então, não houve novas intimações, nem retorno claro sobre prazos ou o andamento das investigações. Raquel já prestou depoimento em ambas as apurações, assim como outros familiares e os policiais envolvidos na ação.
Uso de câmeras corporais em todo o estado
O uso de câmeras corporais pela Brigada Militar ocorre, atualmente, somente na Região Metropolitana. A corporação planeja ampliar a tecnologia para cidades do interior ainda em 2026, entre elas Pelotas. O investimento previsto é de R$ 24,1 milhões, provenientes de convênio firmado em dezembro de 2025 entre o governo estadual e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Audiência pública em Pelotas
Na próxima segunda-feira (30), a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizará, na Câmara de Vereadores de Pelotas, uma audiência pública para discutir o caso e outras pautas relacionadas à segurança pública no Estado.
