Por: Cíntia Piegas
Há 50 anos
Em março de 1976, as páginas do Diário Popular abriam espaço para uma entrevista com o maestro Roberto Nogueira Soares, que regeu por 45 anos a Banda da Sociedade Musical União Democrata, fundada em 7 de setembro de 1896. O texto, escrito por Irajá Nunes foi um verdadeiro poema, pois, para ele, “biografar alguém não consiste, meramente, em transformá-lo em um monte de cifras, datas e estatísticas. O lado humano pesa muito na economia do conjunto. Às vezes, de fato, os pormenores marginais eclipsam o simples roteiro cronológico.”
A referência era para que as novas gerações de músicos fizessem uma análise sobre sua trajetória como regente e orientador da instituição, que também encontrou tempo para dar aulas. Em 1932, foi implementado o Curso Elementar de Música, com funcionamento noturno e de caráter popular, com duração de 45 anos e por onde passaram aproximadamente 4 mil alunos.

Soares compôs sua primeira valsa em 1930 (Foto: Reprodução)
O maestro ficou conhecido internacionalmente, com apresentações nos Estados Unidos e na Alemanha, pelo trabalho desenvolvido com crianças do Exército da Salvação e por sua capacidade de estender o trabalho da Sociedade aos mais diversos segmentos sociais, por meio da música e do ensino. Nogueira Soares também destacou-se pela criação da Jazz Band Democrata, cujos integrantes eram selecionados na escola de música.
Entre as composições, Nogueira escreveu, em 1930, sua primeira valsa, “Amor e Pensamento”. Em 1955, compôs um prelúdio sinfônico. Nascido em Pelotas, em 1910, muitas gerações o viram desfilar à frente da Banda União Democrata, em um período em que a massificação ainda não havia assumido protagonismo no consumo, e os homens encontravam tempo para fazer serenatas.
Roberto Nogueira Soares recebeu uma herança musical invejável e a conservou para as gerações futuras com carinho devoto. Ainda na produção musical, sob sua coordenação, a banda gravou um LP autoral com oito músicas, com mil cópias. No ano seguinte à publicação da entrevista, em 1977, deixou a regência da União Democrata, tendo seu nome sempre lembrado pelos músicos de Pelotas.
Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense
Há 6 anos
Pelotas registra o primeiro caso de coronavírus

Ano teve 274 mortes por Covid (Foto: Jô Folha)
Em 25 de março de 2020, Pelotas registrou o primeiro caso do novo coronavírus, coincidentemente, uma quarta-feira. A confirmação foi do Laboratório Central do Estado (Lacen/RS), único do Rio Grande do Sul credenciado para realizar os exames à época, e o anúncio foi feito pela prefeita Paula Mascarenhas, em coletiva de imprensa online.
A paciente era uma mulher de 71 anos, que se encontrava em isolamento domiciliar, em bom estado de saúde, sem apresentar sintomas graves da doença, após ter tido contato com um familiar que esteve em Porto Alegre.
Paula salientou que todas as medidas providenciadas pelo município, como a elaboração do Plano de Contingência, a capacitação dos profissionais de saúde, a convocação de novos servidores e o alinhamento dos fluxos de atendimento dos hospitais, foram realizadas com o intuito de preparar a cidade da melhor forma para o enfrentamento da doença Covid-19.
De 25 de março a 31 de dezembro daquele ano, Pelotas registrou 15.742 casos, com 11.649 recuperados. Estavam em isolamento 3.809 pessoas, 92 internadas, sendo 30 em UTI, e houve 274 óbitos.
Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense e site da Prefeitura de Pelotas