Coorte 2015 convoca participantes para o acompanhamento de 11 anos

nova etapa

Coorte 2015 convoca participantes para o acompanhamento de 11 anos

Mais de 4 mil crianças fazem parte do estudo, e mil já realizaram as entrevistas e testes de monitoramento

Por

Atualizado quarta-feira,
25 de Março de 2026 às 09:50

Coorte 2015 convoca participantes para o acompanhamento de 11 anos
Nesta edição do estudo, os participantes são acompanhados desde a gestação (Foto: Divulgação)

A Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) convida os participantes da coorte do ano de 2015 para o acompanhamento dos 11 anos de idade, realizado ao longo de 2026. Ao todo, mais de 4 mil crianças fazem parte do estudo e, até o momento, mil já fizeram o retorno periódico para refazer exames e entrevistas com os pesquisadores. Uma nova etapa da coorte acompanhará também os nascidos neste ano.

A coorte de 2015 é a quarta edição do estudo e, assim como nas gerações anteriores, acompanha a saúde de boa parte das crianças nascidas em Pelotas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro daquele ano. A primeira coorte abrange os nascidos em 1982 (5.914 pessoas), a segunda envolve os nascidos no ano de 1993 (5.249) e a terceira coorte, os nascidos em 2004 (4.231 pessoas).

Uma das coordenadoras da coorte de 2015, Bárbara Peter, explica que os pesquisadores da Epidemiologia estão entrando em contato com os pais para levarem as crianças ao acompanhamento dos 11 anos. Essa etapa, realizada periodicamente no Centro de Pesquisas Amilcar Gigante, consiste em uma série de avaliações de saúde e entrevistas para a coleta de dados sobre a saúde dos participantes e o acompanhamento do desenvolvimento das crianças.

“E, neste ano, a gente tem um diferencial, que é a devolutiva de alguns resultados de testes. Então, a gente convida que os pais participem, porque temos bastante coisa legal para entregar para eles neste ano”, diz Bárbara. A pesquisadora ressalta que a coorte de 2015 tem a particularidade de ser a única edição que acompanhou os participantes desde o período gestacional. “A gente consegue avaliar como esse período pré-natal pode estar influenciando ao longo da vida dessas crianças”, explica.

Outro coordenador da coorte de 2015, Werner Müller, destaca que, ao longo desses 11 anos de acompanhamento, um dos achados mais preocupantes da pesquisa é a alta prevalência de obesidade e sobrepeso nessa geração. Na mesma linha, Bárbara acrescenta um comparativo: cerca de 22% das crianças, aos seis e sete anos, já apresentavam obesidade, enquanto, na coorte de 1993, esse índice só foi atingido quando os participantes tinham 22 anos.

Maior estudo longitudinal da América Latina

As coortes realizadas pela Epidemiologia da UFPel são estudos que acompanham, durante décadas, os nascidos em determinados anos em Pelotas. A partir dos dados coletados e dos comparativos entre gerações de estudos, as coortes documentam mudanças importantes na saúde da população, ajudando a aprimorar os cuidados desde a infância.

As informações obtidas têm sido essenciais para a formulação de políticas públicas. Foi devido à coorte que foram formuladas as diretrizes mundiais de aleitamento materno, recomendadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), e criada a curva de crescimento utilizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para acompanhar o desenvolvimento infantil.

Quem participa

Pâmela Fredes é mãe de duas crianças acompanhadas pelas coortes de 2004 e 2015. Recentemente, ela levou o filho Tiago, de dez anos, para a avaliação periódica do estudo. “Para mim, é muito importante e é uma honra participar, e, todas as vezes que eles entram em contato, eu faço questão de levar os meus filhos ou receber eles em casa [pesquisadores]”, diz.

A mãe relata a ansiedade da filha Gabriele, de 22 anos, para participar de mais uma etapa da pesquisa, o que deve ocorrer no ano que vem. “Estaremos saindo do trabalho de campo da coorte de 2015 e iniciando a de 2004, que é a dessa outra geração”, diz o pesquisador Werner Müller. Além da nova etapa de avaliação da coorte de 2015, neste ano também inicia uma nova geração da pesquisa, com todos os nascidos em 2026.

Acompanhe
nossas
redes sociais