“Quando se é mulher, tudo é arte”

Abre aspas

“Quando se é mulher, tudo é arte”

Letícia Leal, musicista e produtora cultural

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Atualizado terça-feira,
24 de Março de 2026 às 10:36

“Quando se é mulher, tudo é arte”
(Foto: Arquivo pessoal)

A musicista e produtora cultural Letícia Leal, natural de Porto Alegre e radicada em Canguçu, lança o documentário A Arte de Ser Mulher, que reúne histórias de mulheres artistas do município. Em entrevista à Rádio Pelotense, ela fala sobre o processo de criação, os desafios e o propósito de dar visibilidade às vivências femininas por meio da arte.

Esse documentário é o teu primeiro trabalho no audiovisual?
Na verdade, esse é meu segundo trabalho. O primeiro também foi voltado para mulheres. Meu objetivo é falar sobre mulheres, fazer com que elas cresçam cada vez mais. O primeiro documentário, um curta, é o Contra o Vento, Contra o Tempo, que conta a história de uma corredora com baixa visão. A gente mostra, de forma poética, como ela conecta a corrida com a vida. E agora estou lançando o documentário A Arte de Ser Mulher, com exibição no Cine Teatro de Canguçu nesta terça-feira (24), em um evento gratuito e aberto ao público.

O documentário traz diferentes idades e olhares. Como surgiu essa ideia?
A ideia é mostrar que, quando se é mulher, tudo é arte. São dez entrevistadas, de diferentes gerações. Tenho uma senhora de 102 anos e uma menina de 10. É um contraste de vivências, mas que mostra que a arte está em tudo, não só no que a gente vê na TV ou escuta na rádio. A arte está no dia a dia, principalmente quando a gente é mulher.

O que mais te surpreendeu durante a produção?
O documentário nasceu para dar visibilidade às mulheres artistas do município, mas acabou se tornando algo muito maior. Ficou muito rico em histórias e conhecimento. A proposta inicial era exibir em projetos sociais, mas ele cresceu tanto que senti necessidade de fazer um lançamento aberto. Também consegui trazer questões como a violência contra a mulher, para inspirar novas gerações e mostrar que é possível sair de situações difíceis e ser o que se quiser.

Quanto tempo levou todo o processo?
Foram cerca de dez meses, entre pesquisa, produção, gravação e edição. Cada entrevistada falava em média 15 minutos, mas no documentário ficam três ou quatro. É muita história para condensar. Se pudesse, faria um filme de três horas.

E como tua experiência como musicista e produtora cultural contribuiu?
Eu não apareço, fiquei nos bastidores. Fiz toda a pesquisa, busquei essas mulheres e quis ampliar o conceito de arte. Não só dança, música ou teatro, mas também a mulher que acorda às cinco da manhã para tirar leite. Isso também é arte. Eu me envolvi muito nessa construção. Sou musicista, faço apresentações solo e também com meu esposo. Vim de Porto Alegre para Canguçu durante a pandemia e tive que me reinventar como artista aqui.

O evento de lançamento também terá outras atrações, certo?
Sim, vai ser uma imersão na cultura feminina do município. Teremos exposição de artes plásticas, atrações musicais, dança, hip hop, balé, grupo afro e um monólogo. Também vou me apresentar com integrantes de um projeto social. A ideia é mostrar a diversidade da arte feita por mulheres.

Onde o público pode acompanhar teu trabalho?
Nas redes sociais, é só procurar pelo @letsollem. O documentário também estará disponível no YouTube, com acessibilidade em Libras e audiodescrição. No lançamento, também teremos acessibilidade em Libras, porque a cultura precisa ser para todos.

 

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