A prefeitura de São Lourenço do Sul está estudando um projeto para tratamento de lixo no município. A iniciativa abrange outras sete cidades e pode reduzir os gastos com transporte e a alta demanda do aterro sanitário em Candiota. Em entrevista à Rádio Pelotense, o prefeito Zelmute Marten (PT) também detalhou outros projetos para o primeiro semestre no município.
Em parceria com a Cooperativa de Reciclagem de São Lourenço do Sul (Cooperforte) e a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a prefeitura lançou, por meio da Rede Clima Municipal, uma aliança entre São Lourenço do Sul, Arambaré, Cristal, Canguçu, Turuçu, Arroio do Padre, Pedro Osório e Cerrito. Segundo Zelmute, a gestão busca ampliar o percentual de reciclagem. Atualmente, o município já recicla 10% dos seus resíduos – mais do que o dobro da média nacional, de 4%.
De acordo com o prefeito, trata-se de um projeto de economia circular, via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para que São Lourenço do Sul passe a ter uma atuação microrregional na reciclagem de lixo urbano nesses oito municípios. O atendimento sanitário deve ser localizado na comunidade de Quevedos, na divisa com Canguçu. Na quinta-feira (26), o projeto deve ser apresentado em reunião com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial, em São Paulo.
Prioridades do primeiro semestre
Além do anúncio sobre reciclagem, a gestão mantém outras prioridades, como trânsito, iluminação pública, a digitalização por meio do “São Louro Digital” e a recuperação da previdência pública. De acordo com Marten, o município possui dois fundos de previdência, ambos com déficit atuarial. “Essa é a nossa grande prioridade legislativa. Estamos finalizando o trabalho e devemos encaminhar o projeto de lei para a Câmara até meados de abril, no máximo até o final do mês”, afirma.
Trânsito e transporte coletivo
O grande desafio é promover intervenções que qualifiquem a mobilidade urbana e rural do município. Atualmente, está sendo desenvolvido um trabalho técnico focado em organizar um conjunto de sugestões para a comunidade, contemplando a construção de rótulas, redutores de velocidade, sinalização de trânsito e a atualização dos desafios do transporte coletivo – que, segundo o prefeito, está na “iminência da falência”.
Segundo Marten, algumas empresas do setor no município abandonaram determinadas áreas urbanas, e há ameaça de abandono de regiões rurais. Na cidade, estudos demonstram a necessidade de investimento de cerca de R$ 3 milhões por ano para avançar em uma estratégia de custo zero – como é a prioridade nacional – ou com menor participação dos usuários. “O país está diante desse grande desafio. É um efeito da digitalização, da estruturação de serviços como aplicativos, que cada vez mais estimulam o transporte individual em detrimento do transporte coletivo”, afirma.
Plano de macrodrenagem
Pela primeira vez, São Lourenço do Sul terá um plano municipal de macrodrenagem. Financiado pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrics), o projeto já está em elaboração e vai subsidiar o processo licitatório para investimentos no setor via PAC, no valor de R$ 37 milhões. Além disso, dois trechos da orla terão intervenção especial. “Estamos, neste momento, preparando processos licitatórios para a construção de novos gabiões, infraestrutura de ruas e estradas e recuperação de pontes no interior”, afirma o prefeito.
