Integração entre Meteorologia/UFPel e órgãos de segurança auxilia na resiliência climática

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Integração entre Meteorologia/UFPel e órgãos de segurança auxilia na resiliência climática

No evento do Dia Meteorológico Mundial calouros foram recepcionados e estiveram junto de líderes das defesas civis da região

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Integração entre Meteorologia/UFPel e órgãos de segurança auxilia na resiliência climática
(Foto: Jô Folha)

Neste ano, o dia 23 de março, quando comemora-se o Dia Meteorológico Mundial, coincidiu com a retomada das aulas na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em comemoração à data, criada em 1950 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU, o curso de Meteorologia da federal reuniu professores, alunos, meteorologistas e lideranças das defesas civis da Zona Sul para reforçar a importância do trabalho integrado no auxílio para ações de enfrentamento aos desastres climáticos.

A cada ano, a OMM escolhe um tema para o Dia Meteorológico Mundial, com o objetivo de chamar a atenção para questões importantes da meteorologia no mundo. Neste ano, o tema é “Observando hoje, protegendo o amanhã”, que tem o propósito celebrar o trabalho da comunidade meteorológica, com suas ações de monitoramento, para construir a resiliência climática de amanhã.

O professor da faculdade de Meteorologia da UFPel e idealizador do evento, Mateus Teixeira, destaca a coincidência entre a data importante para a comunidade e a recepção aos novos alunos, como mais uma possibilidade de integração e um maior engajamento dos futuros meteorologistas, ao perceberem as amplas possibilidades para suas atuações profissionais. “A ideia do evento é uma comemoração em dose dupla. Nós convidamos os coordenadores das defesas civis municipais e esperamos que essa interação possa contagiar os alunos, a seguir nesse caminho que é extremamente importante”, diz.

Estiveram presentes no evento, que aconteceu no novo prédio da Meteorologia no Campus Capão do Leão, as coordenações das defesas civis de Arroio do Padre, Cerrito, Chuí, Morro Redondo, Pelotas, Piratini e São Lourenço do Sul.

Integrar para construir

Com a perspectiva de aumento no registro de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul nos próximos anos, a necessidade de planos de ação efetivos nos municípios e o fortalecimento de cidades mais climatologicamente resilientes é reforçado entre os pesquisadores. A ciência coloca-se como aliada do poder público para a construção de ideias conjuntas e meios de ação para que as comunidades sejam menos impactadas, em comparação com os eventos adversos já registrados.

O diretor da faculdade de Meteorologia da UFPel, Marcelo Félix, destaca que a previsão do tempo vem ganhando contornos de extrema relevância no dia a dia da população. “Não basta dizer somente se vai chover ou vai fazer sol, pois nós temos que ter todo um diagnóstico de exposição e de vulnerabilidade para, justamente, fazer a previsão direcionada à gestão de riscos”, afirma.

Sobre a integração com as forças de segurança, o professor reafirma que a parceria com a Defesa Civil Regional vem sendo fortalecida com o passar dos anos e cita as contribuições durante a enchente de maio de 2024. “A experiência da Sala de Situação do Estado para a questão de alertas e sobre a meteorologia, reforçou a parceria que nós temos hoje com a Defesa Civil, que é forte e permanente. Com um aumento da intensidade e o agravamento dos eventos e sistemas, ela vai ficar cada vez mais próxima”, reitera Félix.

O coordenador da Defesa Civil Regional, Márcio Facin, diz que o evento serve como uma oportunidade de aprender e aperfeiçoar um sistema de integração que já está consolidado. “Nós vemos os meteorologistas como nossos irmãos, não só pelos eventos de maio de 2024. Esta integração é de extrema importância. Sem eles nós não conseguiríamos salvar vidas. Eles foram heróis e merecem ser homenageados”, diz.

Retorno após 15 anos

O egresso do curso de Meteorologia da UFPel, Bruno Zanetti, hoje atua na Defesa Civil do Rio Grande do Sul. Após concluir sua graduação, encaminhou o mestrado e doutorado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além de ter ampliado seus estudos em eventos extremos nos Estados Unidos.

Depois de 15 anos, retornou ao Campus Capão do Leão da universidade para ministrar uma palestra sobre sua atuação na Sala de Monitoramento da Defesa Civil Estadual. Além de incentivar os novos estudantes, o profissional destacou a mudança na estrutura meteorológica do Rio Grande do Sul, principalmente após o período de enfrentamento das enchentes e tendo como perspectiva o histórico de registros de eventos extremos no território gaúcho.

Segundo o banco de dados sobre tempo severo, do qual participou da criação, Bruno reforçou que, desde 2018, foram registradas mais de 50 mil ocorrências de tempo severo no Brasil.

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