Os portões dos campus da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) abrem nesta segunda-feira (22), para receber cerca de 21 mil estudantes, entre graduandos e pós-graduandos. O desafio da reitoria neste retorno, que reequilibra o calendário acadêmico com o ano civil, é a greve dos técnicos-administrativos em educação (TAEs), deflagrada há um mês e sem data para encerramento. Em Assembleia Geral de Greve (AGG), realizada pela Associação dos Servidores da UFPel (Asufpel), foi reforçada a mobilização da categoria.
O primeiro semestre letivo e 2026 se inicia com todos os estudantes matriculados, incluindo ingressantes via Enem, conforme o vice-reitor Eraldo Pinheiro. São aproximadamente 18 mil alunos na graduação em cem cursos e cerca de três mil na pós-graduação, além dos 1.502 docentes e 1.222 técnicos-administrativos. “Apesar da paralisação, a universidade garante que as atividades acadêmicas começam normalmente”, enfatiza Pinheiro.
Ele explica que os principais processos que antecedem o início das aulas, como oferta de disciplinas e matrículas, foram realizados antes da greve ou reorganizados internamente. “Os coordenadores de curso assumiram parte das demandas, garantindo que todos os estudantes estejam matriculados. Neste momento, ocorre apenas a fase de ajustes”, explica.
De acordo com a reitoria, a paralisação atinge cerca de 30% dos técnicos-administrativos, segundo levantamento da universidade. Na avaliação da Asufpel, a mobilização é maior. Ainda assim, a gestão afirma que não há, até o momento, nenhum registro formal de impactos diretos nas atividades de ensino. Eventuais dificuldades, como em aulas que dependem de apoio técnico, deverão ser contornadas com reorganização por parte dos professores, sem cancelamento de atividades.
Os efeitos mais significativos da greve, segundo a reitoria, concentram-se em serviços externos e administrativos. “Internamente, a estratégia tem sido priorizar atividades teóricas no início do semestre e postergar práticas que dependam de maior suporte técnico”, explica.
Mais desafios
A meta da gestão é manter o calendário acadêmico alinhado ao ano civil, algo que não ocorria desde antes da pandemia, o que, conforme a administração, contribui para a organização institucional e a saúde mental de estudantes e servidores.
Mobilização segue
A greve dos TAEs foi iniciada em 23 de fevereiro e segue por tempo indeterminado. Em assembleia realizada na quinta-feira, na sede da Asufpel, a categoria aprovou por unanimidade a continuidade do movimento. O encontro reuniu trabalhadores e integrantes do Comando Local de Greve, que destacaram a importância da mobilização.
Entre as ações previstas, está um ato público na próxima quarta-feira, no Mercado Público de Pelotas, com atividades voltadas à orientação da população sobre saúde e divulgação das pautas da greve.
DCE se posiciona
Em nota, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPel diz que reconhece a greve dos técnico-administrativos como um direito legítimo e ressalta a importância desses trabalhadores para o funcionamento da universidade. A entidade destaca que paralisações fazem parte do processo democrático, embora tragam impactos à rotina acadêmica. No entanto, aponta preocupação quando esses efeitos atingem de forma mais intensa estudantes em situação de vulnerabilidade.
Segundo o DCE, houve dificuldades na identificação dos serviços essenciais durante a greve, especialmente em relação às matrículas e à análise socioeconômica para concessão de auxílios estudantis. Mesmo após a inclusão desse último serviço como essencial, o atendimento segue limitado, afetando estudantes que dependem de apoio para permanecer na universidade. Diante disso, o diretório afirma que tem buscado, junto à administração da UFPel, alternativas para reduzir prejuízos e garantir a continuidade dos estudos.
Serviços essenciais mantidos
Em ofício encaminhado à reitoria, o sindicato orienta a manutenção mínima de 30% dos serviços considerados essenciais durante a paralisação. Entre eles estão o pagamento de salários, bolsas e auxílios estudantis, além de atividades ligadas à saúde, pesquisa e atendimentos de urgência, como no hospital escola e ambulatórios.
O documento também prevê que a definição de atividades essenciais deve ser mediada pelo comando de greve, não cabendo decisão unilateral das chefias. A reposição das demandas acumuladas será discutida ao final do movimento.
A categoria também busca dar visibilidade às atividades desempenhadas por técnicos-administrativos, especialmente em áreas como bibliotecas, laboratórios e serviços de saúde, destacando o impacto da paralisação tanto na universidade quanto na comunidade atendida.
