Um estudo voltado à prevenção do diabetes tipo 2 está recrutando pessoas com pré-diabetes na Zona Sul do Estado. Em Pelotas, a pesquisa é conduzida pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e busca voluntários que apresentem níveis de glicose alterados, ainda sem diagnóstico da doença, para participar de um acompanhamento de três anos. O objetivo do Programa de Prevenção ao Diabetes (Proven-Dia), vinculado ao Sistema Único de Saúde, é avaliar se mudanças no estilo de vida, como alimentação, prática de atividade física e qualidade do sono, são capazes de evitar a progressão para o diabetes.
Coordenado pela professora Renata Bertacco, o estudo integra um projeto nacional que no Estado conta apenas com polos em Pelotas e Porto Alegre. “Ao todo, 53 participantes serão selecionados na região, até o momento, 18 já estão em acompanhamento, e as inscrições seguem abertas até junho”, explica a pesquisadora e professora de Nutrição da UFPel, Anna Marques.
Para participar, é necessário ter 18 anos ou mais e apresentar exame recente de hemoglobina glicada, realizado nos últimos três meses, com resultado entre 5,7% e 6,4%, faixa que caracteriza o pré-diabetes. O índice de massa corporal (IMC) deve estar entre 18,5 e 34,9 kg/m2. “Tem que ter um celular ou computador, porque muitas etapas serão feitas por WhatsApp ou pela Internet.
Pessoas grávidas, em período de amamentação ou que utilizam medicamentos que interferem diretamente na glicemia, como insulina, metformina ou canetas emagrecedoras, não podem integrar o estudo. “A hidroclorotiazida é nosso calcanhar de Aquiles, pois não pode participar quem faz uso de medicamento para hipertensão”.
Como se habilitar
O ingresso começa com uma pré-triagem online ou via WhatsApp, em que o interessado informa os dados básicos de saúde e encaminha o exame. Se aprovado nessa etapa, o candidato é chamado para avaliação presencial no Centro de Pesquisas Amílcar Gigante, em Pelotas, onde são feitas medições de peso e altura, assinatura do termo de consentimento e nova coleta de sangue. “Podem participar pessoas que morem até uma hora do Centro, isso inclui moradores do Capão do Leão, Turuçu e Morro Redondo.”
Após a inclusão, os participantes passam por uma entrevista detalhada e são distribuídos aleatoriamente em um dos grupos do estudo. “Em comum, todos recebem orientações sobre hábitos saudáveis e passam por avaliações periódicas, incluindo exames laboratoriais completos”, destaca Anne.
Durante os três anos, os voluntários terão acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional, formada principalmente por nutricionistas, além de estudantes e profissionais da área da saúde. “A cada seis meses, é realizado um check-up completo para monitorar a evolução dos indicadores”, informa.
A proposta central da pesquisa é atuar antes do diagnóstico do diabetes tipo 2, condição que, na maioria dos casos, está associada ao estilo de vida. “O pré-diabetes muitas vezes não apresenta sintomas, mas pode ser identificado em exames de rotina. É nesse momento que a intervenção tem maior chance de sucesso”, destaca Anne. Os participantes recebem ajuda de custo: R$ 50,00 nos momentos de coleta de sangue e R$ 25,00 para deslocamento em outras etapas presenciais. O contato com a UFPel pode ser pelo WhatsApp (53) 98121-9500, com o envio do exame recente de hemoglobina glicada.
