Sempre fui o tipo de pessoa que sonhou em ser o que é, sem medo de se frustrar.
Talvez seja daí que nasceu minha força de vontade: lutar para que a arte seja o topo da minha vida.
Porque tudo, absolutamente tudo, é sobre arte.
Do momento em que acordo até o instante em que me deito.
Eu respiro, suspiro, falo e recito arte.
Não me reconheceria sem essa parte mais bonita da minha alma.
Sem ela, não teria forças para lutar contra o sistema que insiste em esmagar cada artista.
Esse mesmo sistema que nos cala, nos prende, que lava nossas mentes com mentiras sobre um futuro frustrante.
Tenho tanta garra para lutar que, às vezes, não me sobra tempo para pensar.
Porque ser artista não é nada favorável.
Você tem que lutar para que sua arte se torne memorável, ou ela será tratada como algo descartável.
Minha obsessão toma conta do meu coração,
A ponto de me fazer querer abrir mão de tudo, deixar o passado para trás.
Já abri mão do amor, dos meus sentimentos, do meu tempo, do meu dinheiro.
Arranco meu coração e o sacrifico por ela, na
intenção colocá-la no papel, na melodia, no verso, no silêncio.
Despejo cada lágrima, cada intimidade, e apresento ao mundo,
Na expectativa de agradá-lo e provar que minha existência não é apenas um desastre.
Eu me rendo, me entrego, me transformo.
Não sei quem sou sem minha intensidade,
E não sei o que fazer com ela, exceto arte.
Juro e prometo que deixarei minha alma em pedaços, para que ela se divida em escrita, melodia, fotografia, tinta.
E assim, juntarei meus cacos.
Eu vivo por inteiro aquilo que o mundo admira por segundos.