Enquanto especialistas afirmam que o Brasil não tem risco de desabastecimento de combustíveis, nas cidades o temor vem aumentando com o risco de colapso nos transportes movidos a diesel e, na bomba, toda a cadeia produtiva sente os recorrentes reajustes do óleo. A origem de tudo isso é o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial por dia. O motivo é a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Mas, afinal, por qual razão há esse desencontro de narrativas e realidades?
O preço do barril já superou a casa dos 100 dólares, o que pressiona a Petrobras e o governo federal. Nos últimos dias, houve anúncio de redução de impostos, reajuste do custo e pedido para redução do ICMS nos estados. Em Pelotas, a prefeitura foi ao Ministério Público pedir a garantia de diesel para os serviços públicos. Nas lavouras, o temor de perder parte da safra de grãos caso as máquinas parem. No país, começa a engatinhar uma paralisação dos caminhoneiros, o que preocupa absolutamente todo o setor produtivo brasileiro.
Estradas paradas afetam toda a economia do país. Somos uma nação movida por estradas. Todos lembram do caos que foi quando houve a última grande greve dos caminhoneiros, em 2017. Ainda assim, somos um país autossuficiente na produção de petróleo. Portanto, esse temor com desabastecimento não deveria estar tão forte.
Sabe-se que parte do temor de desabastecimento é fruto de pura especulação, já investigada pela Polícia Federal e observada pelos Procons. Mas o preço, ele sim, é o que pressiona todos os brasileiros. No mesmo dia em que finalmente a taxa de juros recua, os caminhoneiros afirmam estar no limite, que não dá mais. Quando o diesel sobe, tudo sobe. Quando tudo sobe, é o cidadão quem paga o preço.
O governo federal, preocupado com o custo financeiro e eleitoral que isso tudo tem tido, até procura soluções, mas não se vê uma saída que não seja o fim de uma guerra com a qual nada temos a ver. É fato que todo mundo está preocupado e o belicismo global tem deixado um clima de preocupação que vai do grande empresário ao cidadão comum, que não enxergam nenhum coelho sendo tirado da cartola para resolver tudo isso.
