Quebra de patente da semaglutida deve reduzir em 40% preço de emagrecedores

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Quebra de patente da semaglutida deve reduzir em 40% preço de emagrecedores

Três empresas lideram o interesse na produção; Anvisa dará o aval

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Quebra de patente da semaglutida deve reduzir em 40% preço de emagrecedores
Ozempic, medicamento para diabetes, é comercializado em média a R$ 960,00 (Foto: Divulgação)

O fim da patente da semaglutida, um dos principais medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, deve viabilizar a produção de versões genéricas no Brasil. A expectativa é de redução de até 40% nos preços e maior acesso da população, mas especialistas alertam que o processo será lento e dependerá da aprovação regulatória. Atualmente, a dose inicial de medicamentos à base da substância pode ser encontrada por cerca de R$ 963,00, valor que varia conforme o ponto de venda. Canais digitais, como aplicativos e sites, costumam oferecer preços mais competitivos.

Com o fim da exclusividade de fabricação pela indústria responsável, outras empresas poderão produzir a substância, desde que cumpram as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No páreo estão a EMS (que pretende colocar 1 milhão de canetas ainda em 2026), Ávita Care e Megalabs. Só em 2025, o mercado da semaglutida movimentou R$ 10 bilhões.

Alertas

Segundo a endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Rio Grande do Sul, Letícia Schwerz Weinert, já há medicamentos similares disponíveis no mercado, produzidos por laboratórios reconhecidos e com qualidade considerada confiável. A médica reforça que a exigência de receita médica permanece essencial. “Não é apenas para evitar a automedicação, mas para garantir que o tratamento da obesidade seja feito de forma completa, com acompanhamento multidisciplinar”, explica.

A substância semaglutida é o principal princípio ativo dos medicamentos Ozempic (usado para diabetes), Wegovy (indicado para obesidade) e Rybelsus (versão em comprimido). A endocrinologista Saskia Costa de Boer, professora da Universidade Federal de Pelotas, destaca que a quebra de patente tende a beneficiar diretamente os pacientes. “Com a entrada de genéricos aprovados pela Anvisa, é provável a queda no preço, ampliando o acesso. Mas é fundamental que sejam medicamentos registrados, para garantir segurança”, afirma.

À espera

Apesar da expectativa, o fim da patente não significa que novas versões estarão imediatamente disponíveis. Atualmente, a Anvisa analisa ao menos 14 pedidos para produção de semaglutida no país. A previsão é de liberação gradual, com no máximo três autorizações por semestre, em um processo que pode se estender até 2028.

De acordo com a coordenadora de operações do Grupo Panvel, Franciele Nornberg Araujo, o interesse elevado já começa a refletir nos preços. “Somente em março, foram registradas reduções em medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo presente em tratamentos originalmente indicados para diabetes, mas que também apresentam como efeito o emagrecimento. Já observamos estratégias comerciais que tornam o produto mais acessível, como descontos e condições diferenciadas na compra”, explica.

A expectativa do setor, no entanto, é de uma queda mais significativa nos valores com a quebra de patente da semaglutida. Segundo a coordenadora, a previsão é de que esses produtos comecem a chegar ao mercado ainda no primeiro semestre deste ano. “A entrada dos genéricos tende a ampliar o acesso, com reduções que podem chegar a até 40%, embora não exista um percentual fixo”, afirma Franciele.

Perfil

A exigência também mudou o perfil do consumidor. Segundo a coordenadora, os pacientes chegam mais informados e, em muitos casos, já fazem um acompanhamento mais completo, incluindo o uso de medicamentos auxiliares para minimizar efeitos colaterais, como desconfortos gastrointestinais. “É fundamental que o paciente tenha acompanhamento profissional. Não é um medicamento para uso indiscriminado”, ressalta.

Franciele destaca que na rede há unidades que oferecem orientação farmacêutica e até a aplicação do medicamento, especialmente para quem está iniciando o tratamento. “Isso ajuda a evitar erros na aplicação e garante maior segurança, considerando o custo elevado do produto”, explica.

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