Já esperado nos bastidores, o movimento agora ganhou data. Esta sexta-feira (20) será o último dia de Marcos Ferreira, o Marcola (UB), à frente da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária de Pelotas. Segundo ele, a saída foi definida pelo próprio União Brasil, em consenso com o prefeito Fernando Marroni, encerrando uma passagem de quatro meses pelo governo. Até o momento, a prefeitura não anunciou quem será o substituto definitivo nem quem responderá interinamente pela pasta.
Na despedida, Marcola ressaltou a participação na criação do Conselho Municipal de Habitação, o andamento de processos de regularização fundiária e projetos vinculados ao Minha Casa Minha Vida. A partir de 23 de março, ele retorna à Câmara de Vereadores. Com isso, Marcelo Fonseca (UB), que ocupava a vaga como suplente durante o período em que Marcola estava no Executivo, deixa o Legislativo.
A nomeação de Marcola para a Habitação teve peso administrativo, pela relação já construída com o governo Marroni em outros momentos, mas também carregava um objetivo político. A presença dele no secretariado ajudava a sustentar uma composição com o União Brasil. Na prática, porém, esse arranjo não se consolidou no parlamento. Os três vereadores do partido, Cristiano Silva, Rafael Dutra e Marcelo Fonseca, mantiveram postura de oposição ao governo ao longo do período. O episódio mais recente foi a atuação de Cristiano Silva no caso do Vida Ativa, com parecer contrário e a denúncia contra Ivan Duarte na Comissão de Ética, movimento que ampliou a tensão entre o partido e o núcleo governista.
Esse desgaste local se soma a um contexto político mais amplo. Em nível nacional, o União Brasil já se afastou do governo Lula no fim do ano passado. No Rio Grande do Sul, o partido declarou apoio à pré-candidatura de Gabriel Souza ao Piratini. Em Pelotas, portanto, a saída de Marcola também sinaliza o esgotamento de uma tentativa de convivência política que, embora tenha existido no papel, não se confirmou no comportamento da bancada.
Questionado pela coluna, Marcola afirmou que retorna à Câmara “tranquilo”, sem definir de antemão qual será seu posicionamento. A fala indica cautela num momento em que a relação entre situação e oposição vive novo período de atrito, marcado por disputas em votações, recursos regimentais e embates públicos. Nesse cenário, a tendência é de que Marcola adote uma postura menos central nas disputas internas do União Brasil, ao menos neste primeiro momento de volta ao Legislativo.
Marcola foi o terceiro nome a comandar a Habitação no governo Marroni. Antes dele, a pasta passou por Milton Martins, que depois assumiu a Defesa Civil, e por Marta Silva. Em novembro do ano passado, o vereador foi anunciado como novo titular da secretaria.
O último ato de Júlio Moura
Com os olhos marejados e visivelmente emocionado, o suplente Júlio Moura (Rede) se despediu da Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (19), após 60 dias no exercício do mandato, durante a suspensão da vereadora Fernanda Miranda (PSOL). No discurso final, Moura destacou o diálogo com o governo municipal e citou, como uma das entregas do período, a articulação para viabilizar a contratação de 20 novos leitos na saúde.
A passagem de Júlio pela Câmara foi acompanhada com atenção desde janeiro. Como a coluna mostrou à época, parte da oposição via o suplente como peça importante em um eventual processo de impeachment contra o prefeito Fernando Marroni. Havia, nos bastidores, dúvida sobre qual linha ele adotaria no plenário, já que, embora seja filiado à Rede, na federação ao lado do PSOL, transitava entre os polos da política local.
Na prática, porém, Moura seguiu a posição que já havia sido indicada pelo presidente de seu partido e manteve alinhamento com o governo em todas as votações ao longo dos 60 dias. A suspensão de Fernanda Miranda se encerra em 21 de março e, por isso, ela volta a estar apta para reassumir o cargo na próxima semana. Nas redes sociais, a vereadora já confirmou o retorno para a sessão do dia 24 de março.
Posição reforçada
Um novo capítulo se abriu na relação entre PT e PDT no Rio Grande do Sul. Nesta quinta, Edegar Pretto afirmou que sua pré-candidatura ao governo do Estado está mantida e sinalizou que o PT gaúcho seguirá tentando construir o palanque único para o presidente Lula no RS, como deseja a direção nacional, mas sem abrir mão de apresentar seu próprio nome na disputa.
A manifestação de Edegar ajuda a mostrar o tamanho do impasse. De um lado, o partido diz continuar buscando uma aliança com o PDT. De outro, deixa claro que essa aliança, na visão do PT estadual, não pode partir da retirada automática de sua candidatura. Pretto também reforçou que sua pré-campanha tem base política já formada, com apoio de PCdoB, PV, PSOL, Rede e PSB, além de sustentar que representa um projeto nítido de oposição ao governo Eduardo Leite.
É justamente aí que a tensão com o PDT aparece com mais força. Ainda que sem citar diretamente esse ponto como ataque central, a defesa de uma candidatura de oposição conversa com um fato político objetivo: o PDT integra hoje o governo Leite, com Eduardo Loureiro na Secretaria da Cultura e Gilmar Sossella na Secretaria do Trabalho. Por isso, a fala de Edegar também serve para demarcar terreno, indicar diferenças de posição dentro do campo que tenta se aproximar e avisar que, para o PT, a construção de uma aliança não pode apagar a narrativa de oposição que o partido quer apresentar em 2026.
Como reforço a essa posição, o prefeito Fernando Marroni manifestou apoio público a Edegar Pretto nas redes sociais, sinalizando alinhamento interno no PT gaúcho em torno da manutenção da pré-candidatura.
90 anos
O MDB promove, nesta sexta-feira, um coquetel em homenagem aos 90 anos de Irajá Rodrigues, reunindo lideranças políticas e convidados no Clube Caixeiral, a partir das 19h. O encontro também marca a inauguração da galeria dos prefeitos do partido em Pelotas, em um movimento que resgata a trajetória histórica da sigla no município. Irajá governou a cidade em dois períodos, entre 1977 e 1983 e depois entre 1993 e 1996, consolidando seu nome como uma das principais referências do MDB local, além de ter representado o Rio Grande do Sul como deputado federal e participado da Assembleia Constituinte de 1988, o que amplia o peso político de sua atuação para além do cenário municipal.