Infectologista orienta sobre sintomas, transmissão e prevenção do norovírus

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Infectologista orienta sobre sintomas, transmissão e prevenção do norovírus

Casos de doença gastrointestinal em escolas de Pelotas acendem alerta para cuidados com a higiene

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Infectologista orienta sobre sintomas, transmissão e prevenção do norovírus
(Foto: Divulgação)

A Prefeitura de Pelotas considera a possível ocorrência de um surto de norovírus nas escolas da rede municipal de ensino. Foram identificados sintomas gastrointestinais em ao menos 61 alunos de oito instituições, a maioria com menos de cinco anos, o que levou à suspensão das aulas até a próxima segunda-feira (23). Diante do cenário, a infectologista Danise Senna explica aspectos relacionados à transmissão, manifestações e formas de prevenção da doença.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) encaminhou amostras para análise no Laboratório Central do Rio Grande do Sul (Lacen) e ainda aguarda os resultados oficiais para confirmar o agente causador. Durante o período de suspensão das aulas, será realizada a higienização de todas as escolas municipais. A desinfecção ocorre com solução clorada, utilizando água sanitária diluída.

A infectologista Danise Senna esclarece termos utilizados pelos especialistas da SMS. Segundo ela, a ocorrência de uma doença é classificada como “surto” quando há um número de casos acima do esperado para determinada região e época do ano. “Considera-se surto quando há dois ou mais casos relacionados entre si em um ambiente fechado, como escolas, instituições de longa permanência para idosos ou outros locais coletivos”, explica.

Norovírus

O norovírus é um dos principais causadores de diarreia e está frequentemente associado a surtos. As ocorrências são mais comuns em períodos de calor e maior aglomeração, como no verão, em praias, shoppings e escolas. Nos últimos anos, foram registrados casos em diferentes estados, como São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Paraná.

A especialista destaca que há outros diagnósticos diferenciais, como o rotavírus e a hepatite A. No entanto, no Brasil, devido à ampla cobertura da vacina contra o rotavírus na infância, o norovírus tem se consolidado como a principal causa de surtos de gastroenterite, especialmente por não haver vacina disponível.

O vírus causa uma doença diarreica, caracterizada pela ocorrência de três ou mais evacuações com fezes líquidas ou amolecidas em um período de 24 horas. O quadro pode ser acompanhado por náuseas, vômitos, dor abdominal e febre. As complicações são mais frequentes em crianças e idosos, principalmente pelo risco de desidratação, o que exige atenção ao estado de hidratação desses grupos.

Transmissão

O norovírus apresenta alta capacidade de transmissão, podendo se disseminar pelo contato com pessoas infectadas ou com superfícies e objetos contaminados. A infectologista reforça que a suspensão das aulas é uma medida importante para interromper a cadeia de transmissão e permitir a adoção de ações de controle, como o treinamento de funcionários — especialmente manipuladores de alimentos – e o reforço na higienização de ambientes e mobiliários.

Em caso de infecção, o recomendado é manter isolamento por 48 a 72 horas após o fim dos sintomas. De acordo com Danise, a maioria dos casos se resolve entre um e três dias, embora alguns possam se prolongar. “A transmissão pode ocorrer por até duas semanas, mas, de forma geral, após cerca de 48 a 72 horas sem sintomas, a pessoa já pode retornar às atividades”, explica.

Prevenção

A principal forma de prevenção contra o norovírus é a manutenção de bons hábitos de higiene. Entre as orientações destacadas pela especialista estão:

  • Consumir apenas água tratada ou de procedência segura, preferencialmente engarrafada e lacrada;
  • Evitar água de origem desconhecida ou vendida por ambulantes;
  • Para tratamento caseiro da água: filtrar ou ferver e adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% por litro, aguardando 30 minutos antes do consumo;
  • Ter atenção ao gelo, que também pode ser fonte de contaminação se não for feito com água tratada;
  • Consumir alimentos bem cozidos, fritos ou assados;
  • Higienizar corretamente frutas e verduras, podendo utilizar solução com hipoclorito;
  • Evitar alimentos já manipulados, como frutas descascadas;
  • Evitar banho e contato com água ou areia em locais impróprios;
  • Não ingerir água de mar, rios ou córregos, mesmo que aparentemente limpa.

Para quem realiza a limpeza de banheiros, especialmente em locais de uso coletivo, Danise reforça a importância do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), sobretudo ao manipular alimentos posteriormente, a fim de evitar contaminação.

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