Tribunal aponta indícios de fraude na venda do Nicolau Fico

Imbróglio

Tribunal aponta indícios de fraude na venda do Nicolau Fico

Processo indica possível ocultação de parte dos valores recebidos na negociação do antigo estádio do Farroupilha; direção nega irregularidades

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Atualizado quarta-feira,
18 de Março de 2026 às 17:39

Tribunal aponta indícios de fraude na venda do Nicolau Fico
Obra do novo estádio segue parada (Foto: Jô Folha)

A Justiça do Trabalho identificou indícios de fraude na venda do estádio Nicolau Fico, realizada em 2024. O processo aponta uma possível tentativa de esconder patrimônio para evitar o pagamento de dívidas trabalhistas. Parte dos valores da negociação, inclusive, não teria passado pelas contas oficiais do clube.

Em decisão divulgada nesta quarta-feira (18), a Justiça voltou a determinar a paralisação das obras da Arena Ninho do Cardeal e autorizou a penhora de um imóvel ligado ao clube. A medida busca garantir o pagamento de uma dívida em ação movida pelo jogador Igor Padilha, que defendeu o Farroupilha nas temporadas de 2022 e 2023.

Segundo as alegações, a suposta fraude envolve o uso de outra entidade, que teria como sócios os próprios administradores do clube, Adriana Costa e Fábio Costa. Eles teriam utilizado o CNPJ da Associação Esportiva do Sul para dificultar a cobrança por parte de credores.

Ainda conforme o processo, o Nicolau Fico foi vendido por R$ 10 milhões, sendo R$ 4 milhões em um novo terreno e R$ 6 milhões em dinheiro. No entanto, não foram encontrados registros desses valores nas contas bancárias do clube. Outro ponto levantado é que despesas da construção da Arena do Cardeal estariam sendo pagas por terceiros, como a Navarini Engenharia, compradora do estádio, e pela própria associação, sem passar pelas contas do Farroupilha.

Para a acusação, esse modelo indicaria um esvaziamento financeiro do clube, que seguiria sem recursos em seu nome enquanto os bens e valores ficariam vinculados a terceiros. Diante disso, foi solicitado o reconhecimento de ligação entre o clube e a associação, além da penhora do novo terreno e da interrupção das obras.

O juiz do caso também apontou sinais de irregularidades por parte da direção, incluindo o uso de intermediários para receber e ocultar valores da venda do estádio. As obras devem permanecer paradas até que a dívida seja quitada. O descumprimento da decisão pode gerar multa diária de R$ 1 mil e outras sanções. A direção do clube e a empresa responsável pela obra já foram notificadas.

No início da semana, o vice-presidente de futebol, Alcy Moraes, informou que outro processo que também havia provocado a paralisação das obras foi resolvido. O caso envolvia uma dívida relacionada ao jogador Andrei, que atuou pelo Farroupilha em 2023.

Direção do Farroupilha nega fraude

Em nota, a direção do Farroupilha negou “qualquer fraude ou ocultação de valores por parte do clube”. O texto divulgado ressalta que não houve descumprimento total de acordo, mas sim um atraso pontual por falta momentânea de recursos. “A maior parte dos valores já foi recebida pelo atleta, justamente porque o clube não tem acesso imediato a quantias que estão bloqueadas”, diz um trecho do comunicado.

A direção também destacou a situação financeira delicada. Atualmente, o clube não possui mais sede, já que toda a área do Nicolau Fico foi vendida. No terreno da futura Arena Ninho do Cardeal, foi feita apenas a terraplanagem, na Avenida 25 de Julho, às margens da BR-116. O Farroupilha também não conta com receita de produtos oficiais nem com quadro ativo de sócios.

Preparação para a Copinha

Enquanto o clube enfrenta entraves na justiça, com constantes pendências judiciais, no futebol, o Farroupilha oficializou ontem o interesse em disputar a Copa da FGF. O Congresso Técnico ocorrerá na próxima segunda-feira, na sede da FGF.

O elenco segue treinando diariamente sob o comando de Bruno Coelho. A direção também busca um estádio para mandar os jogos da Copinha.

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