O aumento no preço do diesel já começa a travar o transporte de cargas no país e acende o alerta para uma possível paralisação de caminhoneiros autônomos entre hoje e amanhã. Com o litro variando entre R$ 6,10 e R$ 6,70, após sucessivos reajustes, o cenário pressiona empresas, autônomos e toda a cadeia logística. Apesar da redução de tributos federais, o efeito prático tem sido limitado. Estados seguem resistindo a mexer no ICMS, o que mantém o combustível em patamar elevado e sem alívio no curto prazo.
No setor, o impacto já é direto: caminhões estão ficando parados. Vice-presidente do Setcesul e da Fetransul, Rudimar Puccinelli afirma que o valor atual do diesel inviabiliza a operação. Segundo ele, não há margem para rodar. “Com esse preço, não paga os custos. Não temos condições de colocar os caminhões na rua para fazer entrega, coleta e transportar o agronegócio”, resume.
A pressão já chega ao campo. De acordo com o dirigente, produtores não estão conseguindo absorver o custo do frete, o que reduz o volume de cargas. Em alguns casos, simplesmente não há carregamento. “Hoje não está se carregando. O produtor não consegue pagar o frete nesse nível”, afirma.
Além do preço, o setor também enfrenta dificuldades no abastecimento. Em algumas regiões, o diesel teve aumento de até 20% e há relatos de limitação na venda, com controle por CPF e cotas por consumidor. A restrição atinge inclusive transportadoras, que não conseguem abastecer seus próprios estoques. “Não está tendo diesel suficiente. Temos cota nos postos e não conseguimos levar para as bombas das empresas”, relata Puccinelli.
Diante do cenário, cresce a mobilização. Transportadores autônomos e empresas discutem uma paralisação como forma de pressionar por medidas emergenciais. “Deverá ter uma paralisação entre quinta e sexta-feira”, projeta.
No governo federal, a reação passa por fiscalização. A Polícia Federal foi acionada para vistoriar distribuidoras e postos, diante da suspeita de aumentos considerados fora do padrão. Ao mesmo tempo, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) debate alternativas envolvendo o ICMS.
A preocupação é evitar um efeito em cadeia. Com o diesel mais caro, sobe o frete, pressiona a inflação e ameaça o abastecimento, um risco que, segundo o setor, já começou a se materializar nas estradas.
Federação pede redução do ICMS sobre o diesel
A Fetransul formalizou junto ao governo do Rio Grande do Sul um pedido para a redução temporária do ICMS sobre o diesel, como forma de amenizar os custos do transporte em meio à alta recente do combustível. A entidade argumenta que o peso do diesel nas operações compromete a viabilidade do setor e já afeta a movimentação de cargas, especialmente no agronegócio.
Segundo a entidade, o combustível já acumula aumentos de até 30% nas últimas semanas, gerando forte pressão sobre o transporte rodoviário de cargas, setor responsável por movimentar cerca de 85% da produção do Rio Grande do Sul.
Em resposta, o governo estadual afirmou que a tributação do diesel segue regras nacionais, definidas de forma conjunta entre os estados no âmbito do Confaz, o que limita a adoção de medidas isoladas. O Executivo gaúcho também destacou o impacto que uma eventual redução do imposto teria sobre a arrecadação e defendeu que qualquer mudança precisa ser construída de forma coordenada entre as unidades da federação.
