No domingo (15), o Theatro Sete de Abril, um dos mais importantes aparelhos culturais de Pelotas, completou 16 anos de portas fechadas. A longa espera pela retomada das atividades neste patrimônio nacional passou por muitas etapas, desde a recuperação do telhado, passando pelo restauro completo do prédio, até as mais recentes ações da administração atual, como a instalação da caixa cênica e reabilitação de parte da instalação elétrica. De acordo com a Secretaria de Cultura, a prefeitura prossegue tocando diferentes projetos com a meta de colocar o teatro novamente em funcionamento ainda no primeiro semestre deste ano.
A diretora de Memória e Patrimônio da Secretaria de Cultura e secretária de Cultura em exercício, Simone Delanoy, fala que uma série de intervenções estruturais foi realizada desde que a atual gestão recebeu o prédio. Entre as ações já executadas estão a limpeza completa do espaço, a instalação das cadeiras da plateia, a recuperação do fosso – que estava alagado e com as bombas queimadas – e a instalação da caixa cênica.
“Quando recebemos o teatro, encontramos um espaço em condições muito precárias, com mofo, sujeira e até cerca de um metro de água acumulada no fosso da plateia. A partir daí começamos uma série de intervenções para torná-lo novamente apto a funcionar”, explica. Atualmente, algumas etapas importantes estão em execução. Entre elas está a complementação do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI), além do sistema de acessibilidade. “O elevador e a plataforma elevatória estão sendo executados, o contrato foi assinado em dezembro e eles têm que fabricar conforme o tamanho, porque é específico para este prédio”, explica.
A plataforma elevatória ficará na plateia, no vão dos camarotes que dá acesso ao primeiro andar e ao palco. O elevador será instalado dentro da salinha do lado esquerdo da entrada principal, onde era a bilheteria. Ele também dará acesso ao primeiro andar, dando acesso aos camarotes e foyer. “Todo o material é importado e o contrato é até agosto, provavelmente antes disso esses dois elementos já estejam instalados”, comenta Simone.
Ponto de entrave
Parte dessas adequações dependeu da ampliação da instalação elétrica, considerada pela gestão o ponto de entrave da obra. A diretora lembra que o Ministério da Cultura se comprometeu em financiar apenas 50% da instalação elétrica. “A obra nos foi entregue faltando quase R$6 milhões para concluir a instalação elétrica.”
Durante o mês de janeiro e parte de fevereiro foi executada a instalação elétrica, com o objetivo de concluir o PPCI. “Foi uma obra feita pelas medidas compensatórias da Secretaria de Urbanismo”, explica a diretora.
Nos últimos meses também foram executadas melhorias na iluminação interna, nos camarins e na plateia, além da ligação definitiva de energia pela rua 15 de Novembro. “E executamos toda a parte de instalação elétrica para a caixa cênica, tudo com o recursos próprios”, explica Simone.
Com a infraestrutura básica sendo concluída, a próxima etapa envolve a viabilização de equipamentos de som e luz, inicialmente por meio de locação, já que a prefeitura ainda busca recursos para a compra definitiva desses sistemas. “A ideia é abrir o teatro nas condições necessárias para funcionamento e seguir qualificando o espaço conforme novos recursos forem sendo obtidos”, afirma.
Colcha de retalhos
Ainda faltam investimentos para itens como climatização, porém só será possível pensar nesta parte, quando a instalação elétrica estiver totalmente concluída, o que se estima em um valor de R$3 milhões. Mesmo assim, a Secretaria de Cultura trabalha com a perspectiva de reabrir o Sete de Abril com estrutura mínima para receber espetáculos e atividades culturais.
Para Simone Delanoy, apesar da complexidade das obras e dos processos licitatórios necessários, que são demorados, o trabalho no teatro não foi interrompido. A diretora compara o processo a uma colcha de retalhos.
“Uma coisa precisa da outra, os elos vão se juntando. Mas a ideia da prefeitura é abrir no primeiro semestre. Mas precisamos que esses elementos mínimos estejam prontos. Pode não parecer visível para a população, mas o trabalho nunca parou. Estamos costurando uma série de etapas para que o teatro volte a funcionar”, destaca.
Cronologia do restauro
2010
Interditado pelo Ministério Público por risco de desabamento de sua cobertura.
2013 e 2014
Teve sua cobertura restaurada, cessando o problema de infiltração
2015 e 2017
Período de elaboração do Projeto Executivo de restauro integral elaborado pelo escritório Solé & Associados.
2018
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprova o Projeto Executivo e o orçamento da segunda etapa de restauro.
2019
- Obra no Theatro tem início em agosto de 2019 pela Construtora Biapó.
2022
- Obra do restauro completo é finalizada em abril de 2022
- O teatro encontra-se restaurado, com poltronas, cadeiras e vestimentas cênicas, porém sem equipamentos de iluminação e sonorização.
