Fim do Vida Ativa pode deixar de prevenir 12 mil casos de demência em 24 anos

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Fim do Vida Ativa pode deixar de prevenir 12 mil casos de demência em 24 anos

Pesquisador da Universidade da Califórnia, pelotense Natan Feter contabiliza ainda impacto financeiro de meio bilhão de reais nesse período

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Fim do Vida Ativa pode deixar de prevenir 12 mil casos de demência em 24 anos
Mobilizações iniciaram na semana passada, e usuários do programa prometem manter pressão até a reversão do fim do projeto (Foto: Julia Barcelos)

A interrupção do projeto Vida Ativa levou novamente participantes até a prefeitura e depois à Câmara dos Vereadores, onde a continuidade da política social em atividade durante 13 anos foi barrada. Relatos de ganhos físicos, emocionais e sociais são a principal argumentação para a continuidade da iniciativa, que previne doenças e o isolamento social. O fim da atividade chamou a atenção do pesquisador pelotense Natan Feter, que atua na Universidade da Califórnia, para o impacto na saúde dos participantes e o impacto financeiro para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O epidemiologista destaca que a atividade física é uma das principais estratégias de prevenção de demências, condição que ainda não tem cura. De acordo com ele, a interrupção de políticas como o Vida Ativa pode representar um retrocesso significativo. “Estamos falando de cerca de 12 mil casos de demência que poderiam ser prevenidos ao longo de 24 anos em Pelotas”, afirma.

O impacto também se reflete nos custos para o sistema de saúde. Conforme o pesquisador, esses casos adicionais podem gerar uma despesa de aproximadamente R$ 538 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS) no período. “É um valor muito elevado, especialmente quando comparado ao investimento necessário para manter o programa, que gira em torno de R$ 1,5 milhão por ano”, observa.

Feter, que é formado em Educação Física pela UFPel e tem pós em Epidemiologia pela UFRGS, ressalta que a demência é um problema crescente em nível global e que até metade dos casos pode ser evitada com a redução de fatores de risco, como a inatividade física e o isolamento social. “A atividade física melhora a circulação, fortalece conexões cerebrais e também promove interação social, o que reduz significativamente os riscos”, explica.

O pesquisador também chama atenção para o perfil atendido pelo programa, formado majoritariamente por mulheres, idosos e pessoas de baixa renda, grupos que, segundo ele, já apresentam menor acesso à prática de atividades físicas. “Quando se retira esse tipo de política, além de aumentar o risco de doenças, também se amplia a desigualdade”, pontua.

Impactos

Em frente ao Legislativo, a aposentada Clarize Araújo conta que a rotina de exercícios vai além da prática física. “Diminui dores, a gente vai menos ao médico, melhora a depressão. É uma convivência muito bonita, fazemos amizades, comemoramos aniversários. Para muitas, é o momento mais esperado da semana”, relata.

Segundo ela, os encontros, realizados duas vezes por semana, também funcionam como rede de apoio. “Muitas chegam tristes, se sentindo sozinhas em casa, e aqui encontram acolhimento”, completa. Ela promete seguir mobilizada até reverter a situação. “A gente não vai parar enquanto não conseguir a volta”, reforça.

Entenda

A suspensão do programa Vida Ativa ocorre após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Vereadores considerar inconstitucional o projeto de continuidade e ampliação da iniciativa, pedido encaminhado pelo Executivo. Mais de três mil pessoas participavam das práticas esportivas em diferentes bairros da cidade.

Na semana passada, o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Jurandir Silva (PSOL), apresentou recursos contra a decisão da CCJ, solicitando um novo parecer dos projetos, o que deve ocorrer hoje, segundo informou a líder dos grupos do Vida Ativa, Cátia Beatriz Barbosa da Rosa. “Se nada for resolvido, na sexta-feira, iremos protestar no Mercado Público”, adianta.

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