Na reta final do governo de Eduardo Leite (PSD), o Executivo estadual apresenta um balanço dos investimentos em infraestrutura na Zona Sul. Segundo o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, o Estado aplicou R$ 8 bilhões em rodovias desde 2019 e trabalha com prazos entre 2026 e 2027 para a conclusão de obras consideradas estratégicas para a mobilidade e o desenvolvimento regional.
Segundo o governo estadual, foram investidos R$ 8 bilhões em rodovias desde 2019. No mesmo período, o investimento anual do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) passou de cerca de R$ 150 milhões para mais de R$ 1 bilhão por ano. Apesar dos aportes, a Secretaria de Logística e Transportes estima que o Rio Grande do Sul ainda tenha mais de 3,5 mil quilômetros de rodovias estaduais sem pavimentação.
De acordo com Costella, parte das obras precisou começar do zero, já que não havia projetos prontos quando o atual governo assumiu. “Conseguimos transformar um tempo que antes levava até cinco anos em seis ou sete meses. Hoje anunciamos a obra, ela começa e sabemos que vai terminar, porque o recurso está garantido”, afirma.
O secretário afirma que a maioria das obras em andamento na região tem previsão de conclusão até 2026 e segue dentro do cronograma. Ainda assim, ele ressalta que fatores climáticos podem interferir nos prazos. “Os cronogramas são feitos considerando um inverno dentro da normalidade. O importante para o cidadão que enfrenta o problema no dia a dia é saber que, quando há empresa contratada, há obra e há recurso garantido”, diz.
- Obras previstas para 2026: Ligação asfáltica da ERS-608 até Pinheiro Machado; acesso asfáltico a Pedras Altas; acesso asfáltico a Amaral Ferrador; e duplicação da ERS-734, principal via de acesso entre Rio Grande e a Praia do Cassino.
- Obras previstas para 2027: Pavimentação da ERS-265 entre Canguçu e Piratini; e pavimentação da ERS-702 entre Piratini e Cancelão.
Segundo o secretário, essas novas rodovias pavimentadas não devem integrar sistemas de pedágio, devido ao baixo volume diário médio (VDM) de veículos. “Não vejo possibilidade de pedágio nessas rodovias. Elas precisam ter um fluxo mínimo para que a tarifa não se torne muito cara, chegando a R$ 20 ou R$ 30, como já aconteceu no trecho entre Pelotas e Rio Grande. Esse contrato foi cancelado e deve ter uma nova modelagem”, explica.
Concessão ferroviária em debate
Até março de 2027, a empresa Rumo Logística detém a concessão da malha ferroviária do Rio Grande do Sul, firmada com o governo federal. A rede estadual soma mais de 3 mil quilômetros de trilhos, mas, após as enchentes de 2024, pouco mais de 1,6 mil quilômetros permanecem em operação, sendo cerca de 900 quilômetros considerados produtivos.
Na avaliação do governo estadual, a concessionária tem demonstrado pouco interesse em manter toda a malha. “A Rumo quer ficar apenas com os trechos mais rentáveis, mas não pode ser assim. Quando a empresa assume uma concessão, assume também o risco do que é bom e do que não é. A empresa utilizou nossas ferrovias por décadas e agora, na hora de investir na conservação, demonstra dificuldade”, afirma Costella.
Diante desse cenário, o Estado busca novos investidores para viabilizar parcerias público-privadas (PPPs). “O Estado pode colaborar com recursos, assim como o governo federal, enquanto o setor privado entra com investimentos para melhorar a qualidade das ferrovias”, explica o secretário. Como exemplo, Costella cita o projeto Trem dos Vales, no Vale do Taquari, que utiliza a malha ferroviária para conectar cidades turísticas.
O governo aguarda até abril uma manifestação da concessionária sobre o interesse em permanecer ou não com a operação no Estado. “Não podemos esperar o contrato terminar para só depois buscar uma nova empresa ou iniciar outro processo de licitação. Investir em ferrovias significa melhorar o escoamento da produção”, afirma.
Investimentos no aeroporto de Rio Grande
O aeroporto de Rio Grande também está no radar de melhorias do governo estadual. Entre as intervenções previstas estão reformas em hangar e aprimoramentos no terminal de passageiros. Além disso, há discussões sobre a instalação de uma base da Marinha do Brasil no local. “Assim, em qualquer necessidade do Estado, a Marinha pode ser parceira em eventuais emergências”, explica Costella.
Em relação à redução no número de voos regionais no Estado, o secretário afirma que o problema não se limita à infraestrutura, mas também à baixa demanda. Segundo ele, as operações aéreas precisam de ocupação mínima próxima de 50% para se manterem viáveis. “Se a aeronave voa com poucos passageiros, o custo sobe muito e a passagem acaba ficando inviável”, diz.
Para ampliar a viabilidade das rotas regionais, Costella aposta no fortalecimento de diferentes segmentos do turismo, como o de lazer, negócios e gastronomia. “Ninguém vai colocar um avião em uma rota para ter prejuízo. O investidor busca retorno. Por isso é importante potencializar o turismo, que movimenta uma cadeia inteira no Estado, gera empregos e fortalece diversos setores”, conclui.