“O Família Acolhedora proporciona um cuidado individual que faz toda a diferença na vida das crianças e jovens”

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“O Família Acolhedora proporciona um cuidado individual que faz toda a diferença na vida das crianças e jovens”

Mariângela Sposito – coordenadora do programa Família Acolhedora

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Atualizado segunda-feira,
16 de Março de 2026 às 10:31

“O Família Acolhedora proporciona um cuidado individual que faz toda a diferença na vida das crianças e jovens”
Mariângela Sposito – coordenadora do programa Família Acolhedora. (Foto: Divulgação)

Acolher crianças e adolescentes de zero a 18 anos que estão, por decisão judicial, afastados de suas famílias, é a missão escolhida por dezenas de pessoas que, juntas, somam mais de 300 lares temporários há quase uma década em Pelotas. O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora oferece muito mais do que um lar: há amor, escuta, colo e afeto, essenciais para o desenvolvimento de crianças e adolescentes que estão em abrigos institucionais por terem sofrido algum tipo de violação.

Atualmente 17 crianças são atendidas pelo serviço e 19 famílias estão disponíveis. Pelotas foi reconhecida com o Selo Amigo do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, premiação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social na categoria de município com a maior população – “grande porte e metrópole” e será entregue nesta quarta-feira em Restinga Seca.

Qual a diferença do Família Acolhedora para o processo de adoção?

Para participar os interessados não podem estar no Cadastro Nacional de Adoção, não pode ter a intenção, porque são programas diferentes. No serviço, as crianças ficam acolhidas nas famílias habilitadas por nós e pelo judiciário, até que a situação jurídica se defina: ou eles voltam para a família ou são reintegrados. Sem sombra de dúvida, esse serviço não tem comparação com um acolhimento institucional, onde as crianças são cuidadas por duas, três educadoras, às vezes vinte crianças. No acolhimento eles têm esse cuidado individual que faz toda a diferença na vida deles.

Qual o critério para que a criança seja acolhida por uma determinada família? 

A família interessada deve cumprir alguns requisitos e são muitas etapas que precisam ser preenchidas conosco, desde uma avalição com psicóloga, dinâmicas, visitas da nossa equipe e tudo é enviado para o Judiciário que pode homologar ou não. Felizmente temos um número alto de aprovação porque somos bem criteriosas para fazer essa seleção. Importante dizer que muita gente procura o programa achando que é uma forma de burlar o sistema de adoção, outras não têm ideia de como funciona na prática, da responsabilidade, porque não é levar para sua casa uma criança ou um adolescente como se fosse um filho, tem que estar diariamente passando tudo que acontece para nossa equipe e somos cobradas pelo Ministério Público e Poder Judiciário.

O que mais te emocionou nestes quase dez anos?

Recebemos crianças que não conhecem uma praia, que não sabem comer com talheres ou que nunca tiveram uma festa de aniversário, e que em um ambiente familiar, essas ações fazem toda a diferença na vida de cada um. Em um dos casos que mais me marcaram foi de um menino que estava em um dos nossos abrigos, ele era cadeirante e bem pequeno na época, foi acolhido, e por ter ido para o Cadastro Nacional e Internacional de adoção e não ter tido pretendentes, nesses casos é possível a adoção. Hoje ele corre, estuda, se comunica, até assa churrasco, ele é um exemplo entre tantos positivos.

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