Março Azul alerta para prevenção do câncer de intestino

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Março Azul alerta para prevenção do câncer de intestino

Campanha nacional alerta para conscientização do câncer de intestino

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Atualizado domingo,
15 de Março de 2026 às 09:19

Março Azul alerta para prevenção do câncer de intestino
(Foto: Divulgação)

O mês de março é marcado pela campanha Março Azul, mobilização nacional voltada à conscientização sobre o câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal. Promovida pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a iniciativa busca alertar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.

Em 2026, o movimento tem como tema “A jornada da vida. Público 45+, não deixe pra depois”, destacando a necessidade de iniciar o rastreamento da doença a partir dessa faixa etária. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar cerca de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal por ano no triênio entre 2026 e 2028. Trata-se de um dos tumores mais frequentes no país e também um dos que mais causam mortes.

Apesar dos números expressivos, especialistas destacam que o câncer de intestino apresenta altas chances de cura quando identificado precocemente. O grande desafio, no entanto, é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, muitas vezes sem apresentar sintomas evidentes. Outro entrave é para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS), pois o principal exame que pode detectar alguma anormalidade, a colonoscopia é esperada, no momento, por 7.043 pacientes, quase 200 a menos que estavam na fila de espera em junho do ano passado.

Doença se origina de pequenas lesões (Foto: Reprodução)

Mas é possível prevenir. O proctologista e professor Roberto Robaldo explica que a campanha Março Azul tem justamente o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre a prevenção. Segundo ele, embora campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul estejam muito presentes no imaginário popular, o câncer de intestino ainda recebe menos atenção, mesmo sendo uma das principais causas de morte por câncer.

“O câncer de cólon e reto é hoje uma das doenças mais frequentes no Brasil, mas muitas pessoas ainda não têm o hábito de pensar na prevenção. As campanhas de mama e de próstata são muito lembradas, mas a gente acaba esquecendo que o câncer de intestino também é muito comum. O Março Azul surge justamente para reforçar esse alerta e lembrar que existe prevenção”, afirma.

De acordo com o médico, ao contrário do que muitos imaginam, a genética não é o principal fator responsável pelo surgimento da doença. Embora o histórico familiar tenha influência em alguns casos, a maior parte dos diagnósticos está relacionada aos hábitos de vida.

“O componente genético existe, mas, na maioria das vezes, ele não é determinante. O que pesa mesmo são fatores comportamentais. Sedentarismo, obesidade, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, baixo consumo de fibras, excesso de carne vermelha, além do tabagismo e do álcool, aumentam significativamente o risco de desenvolver o câncer de intestino”, explica.

No Rio Grande do Sul, segundo o especialista, alguns desses fatores acabam sendo ainda mais presentes no cotidiano da população. “A nossa cultura alimentar muitas vezes inclui churrasco frequente, consumo elevado de carne e pouca ingestão de verduras e fibras. Quando isso se soma ao sedentarismo e ao excesso de alimentos industrializados, o risco aumenta bastante”, observa. Para o especialista, hoje se vive um momento único na história da humanidade: “Apertamos um botão e a comida chega em casa.”

A origem

A doença costuma se desenvolver a partir de pequenas lesões benignas chamadas pólipos, que surgem na parede do intestino. Com o passar dos anos, esses pólipos podem crescer e se transformar em tumores malignos. A principal forma de evitar essa evolução é por meio da colonoscopia, exame que permite visualizar o interior do intestino e remover essas lesões antes que se tornem câncer.

“O interessante é que a colonoscopia não apenas detecta o câncer precocemente, ela pode evitar que ele aconteça. Quando encontramos um pólipo durante o exame, ele pode ser retirado naquele mesmo momento. Isso elimina a possibilidade de que ele evolua para um tumor no futuro”, explica Robaldo.

Por esse motivo, o rastreamento é recomendado para homens e mulheres a partir dos 45 anos, mesmo que não apresentem sintomas. Caso o resultado da colonoscopia esteja normal, o intervalo para repetição do exame pode variar entre sete e dez anos, dependendo da avaliação médica.

Hábitos saudáveis previnem a doença (Foto: Jô Folha)

Um dos principais desafios no combate à doença é justamente o fato de que, em muitos casos, os sintomas só aparecem em fases mais avançadas. Ainda assim, alguns sinais devem servir de alerta.
Entre os mais comuns estão presença de sangue nas fezes, alteração persistente no funcionamento do intestino, como diarreia ou prisão de ventre por várias semanas, dor abdominal frequente, fezes mais finas que o habitual, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem causa aparente e anemia.

“Não é normal ter sangue nas fezes. Em muitos casos pode ser algo benigno, inocente, como hemorróidas? Claro que pode, na maior parte das vezes é, mas nem sempre”, alerta. O médico fala claramente no cocô, que pode ser tabu para muitas pessoas e preferir o linguajar mais formal, como fezes. “Mudança no formato do cocô é sinal de atenção. Sabe aquela brincadeira das crianças de dar tchau para o cocô? Os adultos às vezes perdem isso e perdem a oportunidade de identificar um sinal nas suas fezes”, observa. Se o formato, a cor, a espessura estiverem diferentes, procure um médico. “Fezes pretas, cor de peixe são um sinal de sangue digerido ali”.

Segundo o médico, quando o diagnóstico ocorre nas fases iniciais, as chances de cura podem chegar a cerca de 90%. Já nos casos em que a doença é descoberta tardiamente, esse índice pode cair significativamente. “Infelizmente, ainda vemos muitos pacientes que procuram atendimento apenas quando o quadro já está avançado. Às vezes a doença evolui a ponto de causar uma obstrução intestinal, o que exige cirurgia de urgência. Quando diagnosticado cedo, o tratamento é muito mais simples e as chances de cura são muito maiores”, explica.

Apesar disso, o especialista destaca que, mesmo em situações mais avançadas, existem tratamentos capazes de prolongar e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Além dos exames preventivos, mudanças no estilo de vida também desempenham papel fundamental na redução do risco da doença. “O cuidado com a saúde intestinal começa muito antes dos 45 anos. A prevenção envolve escolhas diárias. Eu costumo dizer aos pacientes que uma boa regra é descascar mais alimentos e desembalar menos. Isso já faz uma grande diferença na qualidade da alimentação”, afirma.

Para o especialista, campanhas como o Março Azul são essenciais para ampliar o debate e estimular a população a procurar orientação médica. “Não precisa lembrar apenas do Março Azul. Quem já tem o hábito de fazer exames no Outubro Rosa ou no Novembro Azul pode aproveitar essas consultas para conversar com o médico sobre a prevenção do câncer de intestino. O importante é não deixar para depois.”

Quem ficou com dúvidas, pode buscar mais informações pelo @procto.roberto ou pelo telefone WhatsApp (53) 99187-7575. O atendimento é no Edifício Moinhos Office, 1515, sala 302.

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