Antes de a discussão ser interrompida, na última quinta-feira, pelo justíssimo manifesto de usuários do programa Vida Ativa, a Câmara de Vereadores de Pelotas debatia um tema de necessária avaliação: afinal, qual o futuro do transporte público nas cidades? Com o reajuste da tarifa para R$ 6,25 e em um mundo de popularização do transporte por aplicativos, o próprio usuário faz uma conta rápida e já nota que praticamente não vale a pena andar de ônibus hoje em Pelotas, principalmente para curtas distâncias.
O vereador Marcelo Bagé, do PL, quer barrar o reajuste anunciado no início deste mês justamente com o argumento de que o ônibus está caro demais para o bolso do pelotense. E é aí que entra a história do cobertor curto: quanto mais caro, menos gente usa, maior fica a despesa para manter as linhas e mais isso é agregado ao valor da passagem. Ou seja, o cerne do debate deveria ser justamente pensar em maneiras de voltar a popularizar o ônibus por diversos fatores, incluindo o impacto ambiental que o aumento de veículos nas ruas causas, as mudanças que isso gera na mobilidade urbana e, principalmente, o quanto dificulta ainda mais para o cidadão circular.
Ir e voltar, 25 vezes por mês, sai R$ 312,50 para o pelotense. Quase 20% de um salário mínimo. É muito caro. A solução não é simples. Algumas cidades já adotaram o modelo da gratuidade, mas aqui custaria pelo menos R$ 78 milhões por ano, apenas para a zona urbana. Um impacto significativo no orçamento da cidade. Quem pagaria essa conta? E como?
O governo federal também discute sua espécie de “SUS” do transporte, para facilitar a gratuidade e estimular o fortalecimento dos ônibus país afora. Também lançou editais para estimular a troca da frota por veículos elétricos. Dentro do debate ambiental, tudo isso faz muito sentido. Na questão logística também. E na parte social, então, nem se fala. É algo que precisa ser discutido a curtíssimo prazo. Que bom que a Câmara de Pelotas levantou esse assunto. Tomara que siga com ele de uma maneira técnica e voltada às demandas da população.
