O ato que saiu pela culatra

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

O ato que saiu pela culatra

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Poucos vereadores da oposição foram às redes sociais explicar ou justificar seus votos nos episódios desta semana na Câmara de Pelotas. A maioria optou pelo silêncio. A reação pública concentrou-se mais em atacar um bode expiatório do que em sustentar o mérito das decisões tomadas. Isso ajuda a entender a dinâmica política que se formou nos últimos dias. Parte do ambiente de confronto que tomou conta da Câmara precisa ser lida à luz do calendário eleitoral. Alguns nomes da casa já se movimentam para disputar vagas de deputado estadual ou federal em 2026. Assim, o plenário deixa de ser apenas espaço de deliberação municipal e passa também a funcionar como vitrine de posicionamento político.

Nesse contexto, o conflito ganha valor comunicacional. A fala mais dura circula nas redes sociais, o recorte de vídeo mobiliza apoiadores e a postura de enfrentamento ajuda a marcar posição diante da própria base política. Não se trata de colocar todos no mesmo barco, mas o ambiente da semana indica que a lógica eleitoral começa a influenciar o comportamento de alguns mandatos.

Esta é uma das razões para a mudança de tom observada em determinados debates. Há parlamentares que tiveram atuação discreta ao longo do último ano e que agora aparecem com intervenções mais frequentes e mais agressivas. Além disso, nesse ambiente aparece um comportamento recorrente: a oposição transformada em gesto permanente de sinalização. Oposição é parte essencial da democracia e cumpre papel de fiscalização. O problema surge quando a posição passa a existir principalmente como demonstração pública para a própria base política. O debate deixa de girar em torno do mérito das propostas e passa a funcionar como marcação de território.

Só que a cidade continua funcionando em tempo real. As aulas da rede municipal voltaram há cerca de três semanas e ainda existe impasse em torno das contratações necessárias para o funcionamento das escolas. Ao mesmo tempo, o projeto relacionado ao Vida Ativa acabou travado nas comissões da Câmara. E quando o impacto das decisões começa a aparecer na rotina da população, o debate se desloca do campo da narrativa para o campo das consequências. Foi o que se viu nos últimos dias, com participantes do Vida Ativa mobilizados em defesa do programa e comunidades escolares cobrando respostas sobre a situação das escolas.

A tendência é de que a pressão aumente. Com ações do Ministério Público e judicializações em andamento, a prefeitura passa a enfrentar prazos formais para resolver parte dessas questões. Caso eles não sejam cumpridos, o município pode sofrer sanções financeiras. Nesse ponto, além de escolas sem professores ou programas sociais ameaçados, existe o risco de punição aos cofres públicos.

Avanço nos Pedágios

A audiência pública marcada para o dia 17 de março, em Pelotas, sobre o novo modelo de concessão das rodovias da região Sul será o principal momento de debate regional antes da consolidação da proposta que está sendo conduzida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O encontro integra a rodada de consultas públicas sobre o Polo Rodoviário de Pelotas, que inclui trechos da BR-116 e da BR-392 e prevê um novo contrato de concessão com investimentos em infraestrutura e adoção do sistema de cobrança por free flow.

O deputado estadual Zé Nunes (PT), em entrevista à Pelotense, afirmou que pretende levar ao encontro um conjunto de prioridades construídas ao longo das audiências públicas promovidas pela Frente Parlamentar em Defesa de um Novo Modelo de Pedágio. O parlamentar afirma que as propostas foram discutidas em reuniões realizadas em Pelotas, Arroio Grande, Canguçu, São Lourenço do Sul e Porto Alegre, com participação de prefeitos, entidades empresariais, produtores e usuários das rodovias.

Entre os pontos que devem ser defendidos na audiência estão a redução das tarifas em relação ao modelo anterior, a revisão da localização de pórticos de cobrança para evitar incidência em áreas urbanas e a garantia de investimentos considerados estruturantes para a região. No pacote de obras discutido aparecem a duplicação da BR-392 entre Pelotas e Canguçu, melhorias no acesso ao Porto de Rio Grande, a construção de passarelas e intervenções em pontes estratégicas da região.

Outro aspecto que deve aparecer no debate é o cronograma de implantação da concessão. A proposta em análise prevê um período inicial sem cobrança de pedágio, seguido por uma fase de transição com tarifa reduzida antes da cobrança integral. Para Zé Nunes, a audiência de Pelotas terá papel importante porque permitirá que demandas locais sejam incorporadas aos estudos antes da publicação do edital da nova concessão.

Xadrez do PSD

O PSD deve definir nas próximas semanas o nome que representará o partido na disputa presidencial de 2026. Nos bastidores da legenda, a tendência é de que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, seja confirmado como pré-candidato ao Planalto, decisão que pode ser formalizada em abril após a análise de pesquisas internas que apontam o paranaense como o nome mais competitivo da sigla. Assim, o governador Eduardo Leite deve pleitear outro cargo, bem como Ronaldo Caiado.

A estratégia da direção nacional, liderada por Gilberto Kassab, foi manter múltiplos nomes em avaliação até que os levantamentos eleitorais indicassem quem teria maior potencial de competitividade. No caso de Leite, a movimentação nacional abriu outro caminho político, como o Senado. Uma possibilidade que se conecta com a importância estratégica da eleição ao Senado em 2026. No RSl, duas cadeiras estarão em disputa e o pleito já atrai nomes de peso político, como Paulo Pimenta (PT), Manuela D’Ávila (PSOL), Marcel Van Hatten (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL).

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