Talvez sejamos o único país entre os indicados ao Oscar que vivencia de maneira tão intensa a premiação. Afinal, não existe torcida ou fãs como os brasileiros. Em uma fala polêmica, o espanhol Oliver Laxe, diretor de Sirat (também indicado) afirmou que torceríamos por um sapato qualquer. Errado, em parte, ele não está. Afinal, se o sapato for brasileiro, iremos torcer mesmo. Mas não acredito que tão cegamente.
Os dois últimos filmes que o Brasil conseguiu emplacar nas premiações foram importantes peças artísticas e políticas, surgidas em momentos em que o país flertou aqui e ali com uma extrema direita que busca reviver o passado de perseguições e corrupção retratado em ambos os filmes — Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Logo, não se trata exatamente de torcer por qualquer coisa.
Nesta Copa do Mundo do cinema, em busca do bicampeonato — que nada tem a ver com sapatos — emplacamos quatro indicações para o filme de Kleber Mendonça Filho e ainda mais uma para Afonso Veloso, por seu trabalho de fotografia em Sonhos de Trem (2025).
E ganhamos? Temos lá nossas chances em Filme Internacional contra o estupendo Valor Sentimental. De resto, as cartas parecem já devidamente marcadas e apontam dois grandes favoritos: Pecadores, de Ryan Coogler, e Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson. Hamnet, de Chloé Zhao, deve levar o prêmio de atriz para Jessie Buckley e algumas categorias técnicas também. Em Melhor Ator, as coisas são mais delicadas, pois a disputa está entre Michael B. Jordan (vencedor do Actors Awards) e Leonardo DiCaprio (vencedor do BAFTA). Veremos. Mas, vencendo algo ou não, o Brasil já demonstrou que veio para ficar na premiação.
Um rápido verão brat
Com passagem relâmpago pelas salas pelotenses, The Moment (2025), falso documentário estrelado pela sensação da música pop Charli XCX, é um interessante trabalho da artista que redefiniu o verão do hemisfério norte com seu álbum brat (2024).
Cinéfila, XCX decidiu conduzir o encerramento de sua era musical longe do tradicional lançamento do show em DVD ou nas plataformas digitais, optando por realizar um filme sobre o processo de criação da turnê e seus desdobramentos cômicos. O resultado é uma produção com momentos engraçados e muito carisma, mas que peca ao tentar criar uma mensagem profunda sobre os meandros da indústria musical e, ao mesmo tempo, manter-se cool.