Petrobras aumenta preço do diesel em R$ 0,38 por litro nas refinarias

Economia

Petrobras aumenta preço do diesel em R$ 0,38 por litro nas refinarias

Reajuste supera redução de impostos anunciada pelo governo e ocorre em meio à alta internacional do petróleo provocada por conflito no Oriente Médio

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Petrobras aumenta preço do diesel em R$ 0,38 por litro nas refinarias
Foto: Jô Folha

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido em suas refinarias. O novo valor passa a valer a partir deste sábado, quando o combustível será comercializado pela estatal a R$ 3,65 por litro.

O reajuste foi divulgado um dia após o governo federal anunciar um pacote de medidas para tentar conter os efeitos da alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo início da guerra envolvendo o Irã.

Reajuste supera redução de impostos

O aumento aplicado pela Petrobras é superior ao desconto previsto pelo governo com a isenção de tributos federais. O pacote anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que representa uma redução estimada de R$ 0,32 por litro.

Na prática, o reajuste da Petrobras supera esse valor, o que pode limitar o impacto da medida tributária no preço final do combustível.

Diesel ainda estava abaixo do preço internacional

Apesar da alta, o valor do diesel vendido pela Petrobras ainda estava abaixo da paridade internacional antes do reajuste. Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, o preço praticado nas refinarias da estatal estava R$ 2,34 por litro abaixo da paridade de importação na abertura do mercado desta sexta-feira.

Essa diferença vinha sendo apontada por distribuidoras e importadores privados como um fator que desestimulava a compra do combustível no exterior, já que os preços internacionais estavam mais elevados que os praticados no mercado interno.

Pressão de transportadores e agronegócio

A escalada no preço do diesel ocorre em meio à preocupação de setores da economia com o aumento dos custos logísticos. Representantes do agronegócio e do transporte rodoviário pressionaram o governo por medidas para conter os efeitos da alta do petróleo.

Em ofício encaminhado ao governo, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores chegou a ameaçar convocar uma greve de caminhoneiros, alegando falta de ações diante da crise e pedindo isenção de impostos e suspensão da cobrança de pedágios enquanto durar o cenário de instabilidade.

Já a Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário Interestadual Semiurbano de Passageiros solicitou à Agência Nacional de Transportes Terrestres o reequilíbrio econômico-financeiro das tarifas do setor para compensar o aumento dos custos operacionais.

Risco de desabastecimento preocupa mercado

Além da alta de preços, empresas do setor também alertam para o risco de falta de diesel no país. Distribuidoras de médio porte e importadores vinham informando ao governo que a defasagem de preços praticada pela Petrobras dificultava a importação do combustível.

Como o diesel estava sendo vendido no mercado interno por valores inferiores aos praticados no exterior, muitas empresas evitavam trazer o produto para o Brasil, o que poderia afetar o abastecimento caso a demanda aumentasse.

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