Quais são os principais fatores de risco para o câncer de intestino?
Sempre se fala muito da parte genética, mas as pessoas esquecem que isso, no câncer de cólon e reto, tem um papel pequeno. O fundamental é a rotina, os hábitos de vida, aquilo que fazemos no dia a dia. Entre os principais fatores de risco, nós aqui no Rio Grande do Sul nos prejudicamos muito, porque a nossa cultura está repleta deles. Primeiro, o sedentarismo. As pessoas estão cada vez mais sedentárias e obesas, e isso aumenta muito o risco de diversos tumores, não só do câncer de cólon. Outro fator é a alimentação industrializada. Cada vez consumimos mais alimentos ultraprocessados e com valor nutricional muito pobre. Temos também o consumo de álcool e o tabagismo, que infelizmente ainda são muito presentes na população e que vêm se modernizando, como é o caso dos vapes e dos cigarros eletrônicos. Além disso, temos pouco consumo de fibras. Não temos o hábito de comer frutas, verduras e legumes, e há um excesso de consumo de carne, principalmente feita na fumaça, como no churrasco. Se formos observar, o conjunto dessas características aumenta muito a chance de desenvolver tumores de cólon e reto. Na verdade, primeiro surgem lesões precursoras, ainda benignas, que crescem no intestino e, ao longo dos anos, podem se transformar em tumor. Essas lesões são chamadas de pólipos.
Quais os primeiros sintomas da doença?
Ele quase não dá sintomas. Quando aparece algum desconforto, geralmente é muito leve. Temos o hábito de pensar: “Ah, mudou o meu intestino, deve ser alguma coisa que eu comi” ou “estou estressado”, e acabamos negligenciando. Alguns sinais que podem sugerir uma lesão são a mudança no ritmo intestinal e a presença de sangue nas fezes. Não é normal ter sangue nas fezes. Pode ser algo benigno, e muitas vezes é, mas nem sempre. Também é importante observar o formato, a cor e o aspecto das fezes. Fezes muito pretas podem indicar sangue digerido, e a presença de muco também pode ser um sinal de lesão intestinal.
Como é feita a prevenção para esse tipo de câncer?
Existe um exame chamado colonoscopia, que identifica os pólipos e os retira no mesmo momento. É um exame que ainda enfrenta certa resistência por parte das pessoas, porque exige uma limpeza intestinal, que antigamente era realmente muito difícil. Hoje em dia, porém, a preparação é feita na véspera, com o uso de alguns laxantes leves, e a pessoa pode se alimentar, mas com refeições mais leves. No dia do exame, utiliza-se um laxante um pouco mais potente, e o procedimento é realizado com sedação. Toda pessoa a partir dos 45 anos tem indicação de fazer a colonoscopia. Quem tem histórico familiar talvez precise fazer antes. Quem apresenta qualquer um desses sintomas também não deve perder tempo e precisa procurar atendimento médico. Se a primeira colonoscopia estiver normal, o próximo exame pode ser feito entre sete e dez anos depois. Já quem tiver pólipos vai depender da quantidade, do tamanho, do resultado da biópsia e do histórico familiar, podendo ser necessário repetir o exame em um intervalo menor. Temos que focar em manter os exames em dia, procurar prevenir e ter bons hábitos de vida. O segredo para ter uma vida saudável é descascar mais e desembalar menos. Nisso nós já resolvemos um problema muito importante da alimentação. Manter uma boa hidratação e fazer exercícios é fundamental.
Qual a importância do diagnóstico rápido?
Infelizmente, a maior parte dos pacientes procura atendimento quando já está assustada. Nesses casos, é uma pena, porque muitos chegam ao consultório com uma lesão já estabelecida. Toda semana operamos praticamente um ou dois pacientes que tiveram uma obstrução intestinal. Ou seja, a doença evoluiu tanto que chegou a bloquear o intestino, exigindo uma cirurgia de urgência. O diagnóstico tardio do câncer de cólon reduz muito a chance de cura. Quando o diagnóstico é precoce, a taxa de cura gira em torno de 90%. Já em um estágio tardio, esse índice cai para algo entre 20% e 50%. Por isso é tão importante investigar e tratar. E é importante lembrar que, mesmo após o diagnóstico, sempre há tratamento. Em alguns casos é possível alcançar a cura; em outros, é possível ganhar tempo e qualidade de vida.