Falta de mão de obra interrompe serviço de calçamento em Pelotas

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Falta de mão de obra interrompe serviço de calçamento em Pelotas

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Há 50 anos

A falta de mão de obra era a causa do atraso na execução de obras de calçamento em Pelotas. Em março de 1976, o secretário de Obras da cidade manifestou preocupação no cumprimento dos cronogramas.

O secretário Carlos Augusto Ackermann revelou à imprensa que havia cerca de 250 empregos nas 24 empreiteiras que trabalhavam para o governo do município. A maior carência era de calceteiros especializados, serventes, pedreiros, além de carpinteiros e trabalhadores para outras áreas.
Segundo a prefeitura, as empresas começavam a buscar trabalhadores de outras cidades, como Rio Grande. Além do problema de falta de mão-de-obra, a pedreira municipal também estava com produção insuficiente para atender a demanda.

Produção deficiente

Somente para a pavimentação de 30 mil metros quadrados da avenida Duque de Caxias, no Fragata, e 10 mil metros quadrados na avenida Rio Grande do Sul, no Laranjal, eram necessários dois milhões de unidades de paralelepípedos, enquanto o Serviço Autônomo da Pedreira Municipal (Sapem) tinha capacidade para produzir duas mil unidade por dia. Se fossem utilizados somente paralelepípedos da Pedreira, as obras levariam três anos.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

Há 34 anos

Violão Sugiyama, de 1992, que pertencia ao violonista Luiz Hadê ganha nova casa

Violão acompanhou o músico em turnês e concertos (Foto: Reprodução)

O violão da marca Sugiyama de 1992, construído pelo luthier japonês Shigemitsu Sugiyama, foi projetado por encomenda do violonista e violoncelista Luiz Hadê, na época com 54 anos. O pelotense foi professor do Conservatório da Universidade Federal de Pelotas, além de ter sido um excepcional instrumentista e também um ativista cultural na cidade.

Nesta quinta-feira (12), aos 88 anos, Hadê doou essa preciosidade para o Conservatório de Música. “Este violão é uma raridade”, comenta a diretora do Conservatório, Magali Richter

O violonista Márcio de Souza, professor do Centro de Artes da UFPel, que acompanhou o ato, relembra que Sugiyama está entre os luthiers mais importantes da história da construção de instrumentos no país. “Atualmente este é um violão muito raro e o professor Hadê está doando gentilmente para o Conservatório, o que nos deixa muito felizes e honrados”, fala Souza.

Voltar a tocar

Sugiyama imigrou para o Brasil, em 1973. O luthier, o primeiro luthier a usar o pau-brasil na construção de um violão, disse em uma entrevista: “A maior dificuldade é que para um violão ficar bom pode levar 30 anos… Se somarmos o tempo médio de secagem da madeira, outros 30, e de estufa, em média dez anos, um violão precisa de cerca de sete décadas para alcançar o som ideal”.

Hadê comenta que ontem foi um dia muito feliz para ele também, que vislumbra agora a possibilidade do violão voltar a ser tocado. Segundo o músico, a doação estava planejada há algum tempo.

Formação

O professor Hadê fez seus estudos de violão com Delsuamy Vivekananda Medeiros, no Conservatório de Música em Pelotas, Isaias Sávio no Conservatório Musical e Dramático de São Paulo e master classes e cursos na Faculdade Palestrina e com o violonista argentino Eduardo Castañera, entre outras instituições, além de ter cursado a Licenciatura Plena em Educação Artística na UFPel.

Músico desde muito jovem, conta que, após finalizar o período de serviço militar obrigatório, decidiu que era hora de procurar uma estrada mais segura para a sua arte. “Eu levava (a vida) cantando, tocando agê e fazendo serenatas, não era garantia para o futuro. Dediquei-me então, de corpo e alma, ao violão. Fui estudar seriamente esse instrumento”, relembrou em depoimento à UFPel.

Trajetória

Como concertista, apresentou-se em diversos Estados e capitais brasileiras, e em cidades do interior, realizando também concertos em Buenos Aires e Rosário (Argentina) a convite da Embaixada Brasileira. Realizou concertos em Portugal, na Universidade de Coimbra, a convite da Associação Acadêmica de Coimbra, em Lisboa e Olhão. Há 45 anos passou a lecionar no Conservatório.

De 1993 a 1994, formou um duo com o também professor da UFPel, violonista Ivanov Basso. Também foi violoncelista da extinta Orquestra Filarmônica de Pelotas e, por 12 anos, da orquestra da Sociedade Música Pela Música.

Fontes: Revendo o passado: Contextos da Trajetória do Professor e violonista Luiz Hadê em Pelotas, de Márcio Souza; wikipedia

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