Faltam exatos 90 dias para a Copa do Mundo de futebol. Em menos de três meses, no dia 11 de junho, estaremos todos na torcida pelo Hexa. Ou será que não? Diante do cenário internacional extremamente delicado, com a escalada da guerra de Israel e Estados Unidos da América contra o Irã, o contexto tornou-se ainda mais complexo. A cereja desse bolo foi a desistência dos iranianos, que estavam alocados no grupo G do campeonato, ao lado de Nova Zelândia, Bélgica e Egito. E o impacto não deve parar por aí: é ingenuidade pensar que um conflito bélico de tamanhas proporções não vá impactar no maior evento esportivo do mundo.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, que parece ser um hábil político, mas tem dificuldades em leituras de situações, classificou a Copa como uma oportunidade para unir as pessoas e celebrou o apoio de Donald Trump ao evento – a quem a Federação concedeu Prêmio da Paz, semanas antes de ele realizar manobra militar que derrubou Nicolas Maduro do governo da Venezuela e de iniciar o conflito com os iranianos. Outro país sede, o México, vive em momento de conflitos internos pela eterna luta contra os cartéis de drogas.
Fato é que vivemos um momento em que o mundo está à beira de um colapso com diversos conflitos e um evento da proporção da Copa do Mundo, embora com o objetivo de unir nações, pode causar mais um estopim para conflitos. No entanto, não se fala em mudar o local, nem há qualquer indicativo disso, mas as regras da própria Fifa, se seguidas à risca, indicam que esse seria um cenário possível.
A tendência é que se faça a aposta da capacidade conciliadora do futebol e da possibilidade de ser populista diante da principal paixão esportiva global. Mas, sem dúvidas, conforme os conflitos escalarem nas próximas semanas e meses, mais dúvidas irão pairar sobre o sentido e a capacidade de realizar o evento na proporção que ele tem que ser: uma grande festa multicultural e voltada à integração entre povos.