A Você Sabe Quem Companhia de Teatro apresenta neste fim de semana as últimas sessões do espetáculo Interpol, não me prenda!, com apresentações na sexta e no sábado, às 20h, na sede da Cia, na rua Dom Pedro II, 458. A montagem marca a volta da trama, encerrando a temporada de verão, após quatro sessões com casa cheia.
Escrita e dirigida por Kel Marun, a peça aposta em uma comédia escrachada, construída para provocar riso do início ao fim. “O importante é fazer as pessoas rirem. Eu amo a comédia e o intuito da peça é esse, mesmo quando a história toca em temas mais complexos”, explica a diretora.
O espetáculo tem classificação indicativa de 16 anos e ingressos a R$25,00 disponíveis antecipadamente on-line. O elenco reúne Caio Porciuncula, Dâmaris Cogno, Evelin Suchard, Geo Sobrinho e Jão.
No pós-pandemia
A trama se passa no período pós-pandemia, quando duas irmãs, que passaram por um longo período de isolamento, recebem a notícia da morte de uma tia e a informação de que há uma herança à espera delas. Para ter acesso ao dinheiro, porém, precisam cumprir uma condição inusitada: viajar ao Egito e seguir as instruções deixadas no testamento.
A situação, que já começa estranha, ganha novos contornos quando se descobre que a tia está viva e envolvida em atividades ilegais. A narrativa mistura humor, referências à cultura pop e elementos de thriller, além de explorar o contraste entre duas gerações.
A irmã mais velha representa uma visão desencantada com a internet após a pandemia, enquanto a mais nova sonha em se tornar influenciadora digital. O choque entre essas visões gera grande parte das situações cômicas do espetáculo.
Em outra pele
Outro recurso narrativo importante é uma cena inspirada no clássico filme de comédia Freaky Friday (Uma sexta-feira muito louca), em que as personagens trocam de corpo. Segundo Kel, o recurso serve tanto para ampliar o humor quanto para provocar reflexões sobre empatia e identidade. “Eu que sou uma pessoa trans escrevendo sobre isso, traz um lugar de troca de corpo, de troca de pele. Acho que também tem essa camada mais profunda. Mas mais do que isso, é essa questão do humor, de como as personagens não se entendem, como elas têm que lidar com esse novo corpo”, comenta a diretora.
Cinema e teatro
Graduada em Cinema, Kel integra a companhia desde 2024 e desenvolve pesquisa acadêmica que relaciona palhaçaria e teoria queer. Essa abordagem aparece na encenação, especialmente na relação direta das atrizes com o público, característica típica da linguagem do clown.
A montagem foi criada com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que também viabilizou um fotolivro, com fotografias de Ana Luísa Panarelli, sobre o processo e uma oficina de escrita dramatúrgica. Agora, as duas sessões finais funcionam como uma pequena temporada aberta ao público.